Cronologia dos "pergaminhos"
Nas páginas anteriores, discutimos o conteúdo dos presumidos "pergaminhos", e expusemos algumas teorias para a sua composição e inspiração. Tentamos agora resumir, socorrendo-nos do trabalho de Paul Smith e das obras e colectâneas de Pierre Jarnac, numa cronologia sucinta os pontos-chave desta controversa história.
Tabela de anos
- Janeiro
Morre Marie Dénarnaud, antiga governanta do padre Saunière. A governanta do padre Saunière, provavelmente desgostosa com o mau nome que o padre ganhara com a questão incómoda do tráfico de missas, decidira-se a eternizar, durante toda a sua longa vida, desde a morte de Saunière em 1917, as histórias de tesouros e da descoberta de um tesouro pelo padre. Para Marie Dénarnaud, era muito melhor que o seu antigo patrão ficasse para a posteridade como um homem que tinha descoberto um tesouro, em vez de ficar conhecido como um sacerdote simoníaco.
- Durante este ano
Após a morte de Marie Dénarnaud, o legado do padre passara para a família de Noël Corbu (este último fora instituído a 22 de Julho de 1946 por Marie Dénarnaud como herdeiro universal das propriedades até então em nome desta). A venda das propriedades foi efectuada na modalidade de venda contra renda vitalícia: Corbu ficaria a viver com Marie Dénarnaud, pagando-lhe uma renda vitalícia. Quando Marie morresse, as propriedades passariam logo para Corbu. Assim, após a morte de Marie, este transforma a Villa Béthanie num hotel com restaurante, e usa um gravador de cassetes para imortalizar uma história romanceada do padre Saunière. É Corbu quem fala na história da descoberta de pergaminhos escondidos nos pilares (afirmados como sendo "ocos", coisa que não são) do antigo altar-mor da igreja de Santa Maria Madalena, em Rennes-le-Château. Poderemos estar perante a reutilização de uma antiga tradição maçónica que refere segredos ocultos nos pilares do Templo de Salomão, que lá teriam sido escondidos, contendo valiosa sabedoria, antes do Dilúvio. Mais próximo da realidade histórica, a obra de Claire Corbu (filha de Noël Corbu) e Antoine Captier, refere a tradição oral da aldeia que menciona a história da descoberta, pelo padre Saunière, de um documento antigo num balaústre de madeira. Este documento falava na "Tombe des Seigneurs", ou "Túmulo dos Senhores", um texto com informação notarial sobre os aristocratas sepultados na cripta da igreja de Rennes.
- 12 de Janeiro
Primeiro artigo do jornalista Albert Salamon, no "La Dépêche du Midi". La fabuleuse découverte du curé aux milliards de Rennes-le-Château: d'un coup de pioche dans un pillier du maître-autel, l'abbé Saunière met à jour le trésor de Blanche de Castille, ou seja, A fabulosa descoberta do padre dos milhões de Rennes-le-Château: com um golpe de picareta no pilar do altar-mor, o padre Saunière traz à luz do dia o tesouro de Branca de Castela. O jornalista, para este artigo, inspira-se sobretudo numa entrevista com Noël Corbu, onde este último lhe terá comunicado as suas teorias sobre os tesouros de Rennes.
- 13 de Janeiro
Segundo artigo do jornalista Albert Salamon, no "La Dépêche du Midi". La fabuleuse découverte du curé aux milliards de Rennes-le-Château: un Carcassonnais contemporain de l'abbé affirme: «J'ai vu dans une pièce du château des caisses remplies de lingots», ou seja, A fabulosa descoberta do padre dos milhões de Rennes-le-Château: um habitante de Carcassonne contemporâneo do padre afirma «Eu vi num quarto do castelo [de Rennes] caixas cheias de lingotes». A seriedade jornalística deixa muito a desejar... É também neste artigo que, pela primeira vez, surgem teorias como a de que Saunière planeava construir uma torre de cinquenta metros de altura, e planeava levar àgua a todos os habitantes da aldeia, e refazer a estrada entre Rennes e Couiza.
- 13 de Janeiro
Terceiro artigo do jornalista Albert Salamon, no "La Dépêche du Midi". La fabuleuse découverte du curé aux milliards de Rennes-le-Château: M. Noël Corbu connait-il la cachette du trésor de l'abbé Saunière qui s'élève a 50 millards?, ou seja, A fabulosa descoberta do padre dos milhões de Rennes-le-Château: conhecerá o senhor Noël Corbu o cofre do tesouro do padre Saunière que se eleva a 50 milhões? O estilo continua idêntico: surgem as histórias sobre a velha senhora Dénarnaud, que teria prometido ao seu herdeiro Corbu que «quando morresse, ele seria rico, imensamente rico, mais rico do que alguma vez poderia imaginar» («Quand je mourrai, vous serez riche... immensément riche, plus riche que vous ne pourriez même l'imaginer»). Perante a pergunta do jornalista acerca da natureza do tesouro, Corbu não hesita: "tesouro real".
- 28 de Agosto
O Priorado, sob o pseudónimo de Madeleine Blancassal, deposita na Biblioteca Nacional de Paris o documento Les descendants mérovingiens ou l'énigme du Razès wisigoth. Neste documento apócrifo, o Priorado tenta veicular a tese da descoberta de pergaminhos pelo padre Saunière, pergaminhos esses que atestariam a sobrevivência de uma dinastia oculta de reis merovíngios. Estamos ainda a dois anos de distância da data de publicação da obra de Gérard de Sède, L'Or de Rennes, onde virão pela primeira vez a público as falsificações dos pergaminhos.
- (data por apurar)
A editora francesa Juillard publica L'Or de Rennes, do autor Gérard de Sède. Nesta obra surgem pela primeira vez os pergaminhos forjados por Phillipe de Chérisey que, juntamente com outros documentos, teriam sido achados pelo padre Saunière em pilares ocos do altar-mor da igreja de Santa Maria Madalena, em Rennes-le-Château.
- 15 de Julho
Sob o pseudónimo de Jean Delaude, o Priorado (crê-se pelas mãos de Phillipe de Chérisey) deposita na Biblioteca Nacional de Paris o documento Le Cercle d'Ulysse. Neste documento, surge a afirmação de que uma suposta sobrinha de Saunière, "Madame James", teria vendido em 1965 os ditos pergaminhos ao capitão Roland Stanmore (Nutting) e a Sir Thomas Fraser. Estes teriam depositado os pergaminhos em Londres, num cofre do Lloyds Bank Europe Limited. Paul Smith recorreu à ajuda do filho de Sir Thomas Fraser, a resposta deste foi elucidativa: o seu pai nunca possuíra tais documentos, nunca tivera uma conta no Lloyds Bank, nunca conhecera nenhum Roland Stanmore, e por diante.
- (data por apurar)
Phillipe de Chérisey admite, em entrevista relatada no livro de Jean-Luc Chaumeil, Le Trésor du Triangle d'Or, ter sido o autor dos pergaminhos cifrados que Gérard de Sède trouxera pela primeira vez a público em 1967. Pesquisadores competentes como Frank Marie já suspeitavam disto (1978), bem como antes historiadores sérios como René Descadeillas (1974).
- (data por apurar)
Pierre Jarnac publica a sua obra Histoire du trésor de Rennes-le-Château, onde pela primeira vez traz a público uma fotocópia de uma carta de Phillipe de Chérisey datada de 1974, na qual ele confessa ter criado os pergaminhos codificados em 1965.
- Julho
A editora Belisane, de Nice, publica de Pierre Jarnac a obra fundamental Les Archives du Trésor de Rennes-le-Château. Esta obra contém praticamente toda a informação valiosa sobre esta questão dos pergaminhos e sobre toda a montagem do Priorado de Sião e o mistério de Rennes.
- (data por apurar)
Numa histórica exibição televisiva intitulada The History of a Mystery, no programa Timewatch da BBC2, Jean-Luc Chaumeil é entrevistado, e no decorrer da entrevista ele exibe tanto os originais dos pergaminhos a ele confiados por Phillipe de Chérisey, como o famoso documento "Pierre et Papier" que explica a composição dos mesmos.
Ó 1997-2006 Bernardo Sanchez da Motta
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