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Pierre Plantard

Índice

1. Introdução
2. Savoire e Savoret
3. Pierre Plantard
4. Os anos da Vaincre (1942-1943)
5. Um tesouro templário em Gisors?
 

 

Pierre Plantard (1920-2000)
Pierre Plantard (1920-2000)

     Pierre Plantard é a personagem central na mistificação do Priorado de Sião, e é essencial conhecer os primórdios da sua vida activa para que se obtenha uma imagem realista das suas origens ideológicas, antes de se prosseguir para o Priorado de Sião, que só tomará forma em meados dos anos cinquenta.. Contudo, antes de principiar, são necessárias mais algumas incursões biográficas a personagens-chave na compreensão do fenómeno Plantard, nomeadamente a de Camille Savoire e a de André Savoret.

 

 

Savoire e Savoret

 

     Victor-Camille Savoire1 (1869-1951) é uma figura incontornável da maçonaria francesa do século XX. Nascido a de 6 de Julho de 1869 em Marchenoir (Loir-et-Cher), Camille era filho de um vendedor de madeira, Victor Savoire, e de Marie-Elise Gentils. Os seus pais eram muito diferentes, o que marcou a personalidade de Camille. O pai era um republicano indiferente às questões religiosas, mas a mãe era católica devota.
     A educação religiosa do jovem Camille é entregue, aos sete anos, ao padre da aldeia. Mas o contraste entre estes ensinamentos e os do professor laico da escola primária era muito grande e apresentava-se como um desafio à curiosidade do rapaz. Desde muito cedo, Camille, desinteressado pelos ensinamentos do sacerdote, começou a interessar-se pelas conferências do livre-pensador republicano Houdin, e pela biblioteca da aldeia, onde passou muitas horas.
     Em Outubro de 1882, Camille entrou para a escola primária superior de Onzain. Nessa altura já assumia, de forma muito decidida, a recusa da fé católica. Aos catorze anos, Camille recusou receber o sacramento da confirmação.
     No ano de 1886-1887, ano em que preparava o seu bachalerato no liceu de Orleães, e sentindo-se cada vez mais próximo do pensamento dos professores franco-maçons do corpo docente do seu liceu, Camille começou a assistir a conferências organizadas pelo Grande Oriente de França. Em 1892, já aluno de medicina em Paris, Camille foi iniciado na loja La Réforme, parte integrante da Grande Loge Symbolique Écossaise, que posteriormente se tornaria na Grande Loge de France. Nestes anos de juventude, Camille deveria ainda desconhecer a complexidade das fraternidades maçónicas, e a diversidade de ritos. Em 1893, entrou na loja La Lumière, do Grande Oriente de França, e em Outubro de 1894, por razões práticas, mudou-se para a loja L'Avant-Garde Maçonnique, da mesma obediência. Durante quarenta anos, Camille Savoire permaneceu nesta loja, obtendo em 1912 o estatuto de “Venerável”.
     No ramo profissional, Camille Savoire desempenhava a função de chefe de laboratório na clínica cirúrgica da Faculdade de Medicina de Hôtel-Dieu, cargo que exerceu entre 1893 e 1898. A partir de 1903, Savoire torna-se secretário da Comissão criada pelo Ministério do Interior com o intuito de combater a tuberculose, e de 1910 a 1912, desempenha o cargo de director médico da secção anti-tuberculose do hospital Beaujon. Ao tempo da Primeira Grande Guerra, Camille Savoire ficou conhecido como uma autoridade no combate à doença, e pelos seus esforços neste campo recebeu a medalha da Legião de Honra em 1933.
     A longa carreira de Camille Savoire na Maçonaria permitira-lhe conhecer bastante bem toda a complexidade da questão maçónica, bem como viver pessoalmente e influenciar alguns dos momentos mais importantes da história da Maçonaria em França. Ao longo dos anos, Savoire inclinara-se cada vez mais para o Rito Escocês Rectificado, tendo obtido um alto grau2 no Grande Priorado de Helvétia, em Genebra, por volta de Junho de 1910. Em Outubro do mesmo ano, Savoire fundou uma loja rectificada em Paris, a loja Le Centre des Amis, o que não deixou de lhe provocar problemas com o Grande Oriente. Pelas pressões sofridas por parte deste, Savoire deixou a direcção desta nova loja a dois colegas seus dos tempos de Genebra, Ribaucourt e Bastard, para responder ao chamamento do Grande Colégio dos Ritos (1913). O Grande Oriente ficou a dever a Savoire um importante trabalho de reorganização interna.
     Contudo, a preferência pelo rito rectificado aprofundou-se ainda mais com o início das relações, a partir dos anos trinta, como o jesuíta Joseph Berteloot (autor de Jésuite et Franc-maçon – Souvenir d'une amitié, 1952). Cada vez mais preocupado com a pureza e a integridade das tradições iniciáticas da franco-maçonaria, Savoire deixou que a sua relação com o Grande Oriente se fosse gradualmente degradando. Em Março de 1935 sucedia o inevitável: Camille Savoire demitia-se do Grande Oriente de França, e regressava para junto do seu antigo colaborador Ribaucourt, com quem fundou o Grande Priorado das Gálias. Savoire desempenhou o cargo de Grande Prior até à sua morte, em Paris, a 4 de Abril de 1951.
     A saída de uma figura emblemática como Savoire do Grande Oriente criou polémica, e gerou inúmeras querelas internas à Maçonaria. O Grande Oriente, que contava nas suas fileiras com porta-vozes de uma sólida tradição de ateísmo, reprovava a “nova” maçonaria de Savoire, que segundo eles era “demasiado cristã”, uma expressão que teria provocado arrepios a um Wirth, a um Guénon ou a um Reghini, também eles adeptos de ritos rectificados, e que advogavam a completa neutralidade religiosa e política da Franco-Maçonaria.
     Mas, a reter da figura de Camille Savoire, temos sobretudo isto: uma personagem-chave no retorno em força do Rito Escocês Rectificado ao território francês. Para mais, o nome escolhido por Savoire para a sua obediência, “Grande Priorado das Gálias”, está, como veremos a seguir, muito próximo da futura Alpha Galates (“Os Primeiros Gauleses”) de Pierre Plantard.
     Mas, antes de passarmos a este último, recordemos por breves instantes outra curiosa figura: André Savoret3 (1898-1977), nascido em Paris a 28 de Julho de 1898. O percurso de Savoret é semelhante ao de muitos ocultistas e esoteristas do seu tempo. Interessado pela magia operativa no tempo da Primeira Guerra, Savoret orientou-se, a partir de 1925, na direcção da escola espiritual do maître Phillipe, de Lyon. Fascinara-se pelo hebreu, pelo sânscrito, e pelo estudo do celtismo e do druidismo. Mas os factos que nos interessam na sua vida passam-se a partir de de 1937, quando Savoret criou com alguns amigos o Collège Bardique des Gaules (de novo um movimento cujo nome nos aproxima da Alpha Galates de Plantard), que teve duas publicações, o Bulletin mensuel (1937-1940), e o Annuaire (1933-1940). Dos vários pseudónimos de Savoret, destacamos o de Ab Gwalwys (“Filho das Gálias”), dentro do mesmo espírito daquele título que Plantard adoptará nos seus primeiros anos de vida pública, o de Sa Magesté Druidique.
     Savoret, como era normal nestes meios, também se interessava fortemente pela astrologia e pela alquimia. Era amigo de Eugène Canseliet e de Georges Richet. Alguns dos seus artigos interessararam a René Guénon, que os comentou favoravelmente. Savoret, depois de uma vida longa, morreu em Epernay (Marne) a 8 de Março de 1977.

 

 

Pierre Plantard

 

     Pierre Athanase Marie Plantard4 nasce a 18 de Março de 1920 em Paris, filho de Pierre Plantard e de Amélie Marie Raulo. As origens humildes de Pierre Plantard são evidentes: o seu pai era mordomo5 e a sua mãe era doméstica, tendo servido por vezes em casa de terceiros como cozinheira. Ainda adolescente, o jovem Plantard foi acólito na igreja de Saint-Louis d'Antin, em Paris. Nos verões, participava frequentemente em acampamentos de jovens católicos, chamados Groupements Catholiques de la Jeunesse, em Plestin-les-Grèves (Côtes-du-Nord), chegando a ser monitor. As aptidões académicas do jovem Plantard nunca foram brilhantes, e ele abandona os estudos definitivamente em 1937 com apenas dezassete anos. A primeira fase da vida pública de Plantard pode ser definida de 1937 a 1951. A data inicial, 1937, é como vimos o início da sua vida adulta que principia com o abandono dos seus estudos. Não diríamos vida emancipada, porque Plantard viveu sempre com a sua mãe Amélie em casa desta.
     Entre estas duas datas, mãe e filho terão ocupado apenas duas moradas em Paris: o 22 da Place Malesherbes (no XVIIème arrondissement) e o 10 da Rue Lebouteux (também no mesmo arrondissement). Um relatório policial datado de 4 de Maio de 1954 afirma que Plantard se mudou de Paris para Annemasse, na Alta Sabóia, em 1951.
     Mas vejamos em detalhe os anos de Plantard em Paris…
     A esmagadora maioria da actividade de Plantard neste período foi, sobretudo, de cariz político. Plantard, com as suas publicações caseiras de baixa tiragem, atraía, sobretudo, a atenção da polícia, que vigiava atentamente grupos nacionalistas como os que Plantard tentava insistentemente propagar.
     Em 1937, o ainda muito jovem Plantard funda a Union Française, com o objectivo de "purificar e renovar a França" através da mobilização da juventude, um movimento que se apresentava como “anti-semita” e “anti-maçónico”. Mas tenhamos o cuidado de não fazer uma leitura descontextualizada destes dois termos.
     Começando pelo “anti-semitismo”, esta expressão deve ser lida no contexto da política francesa da altura, e no contexto das querelas entre filiações maçónicas adversárias.
     No campo político, França era governada pela esquerda do primeiro-ministro Léon Blum, que era judeu. Plantard, alinhando-se com outras vozes da direita e da extrema-direita, fazia coro às críticas que a oposição dirigia ao governo de Blum. Para Plantard, homens como Léon Blum estariam a corromper a França, e a desviar a sua juventude em direcção à perdição e ao desastre. O anti-semitismo de Plantard baseava-se no preconceito de que os judeus, infiltrando-se nos mais altos cargos governamentais e nas posições mais decisivas da nação, eram a maior ameaça ao tradicionalismo católico no contexto do nacionalismo "gaulês", um galicanismo ao estilo da República de Vichy e do seu líder, o Marechal Henri Pétain (1856-1951).
     No campo maçónico, depois do que se disse atrás sobre Camille Savoire, torna-se claro que, por “anti-maçónico”, se deve compreender que a Union Française de Plantard combatia, sobretudo, a maçonaria maioritariamente ateia do Grande Oriente de França. Contudo, o movimento de Plantard, não sendo em bom rigor uma maçonaria rectificada, inspirava-se fortemente nos ideais desta. Iannaccone usa um termo elucidativo: o movimento de Plantard seria “para-maçónico”6, alinhando-se com a maçonaria “espiritualista” ou rectificada.
     O uso explícito de terminologia anti-maçónica por Plantard iria aumentar ainda mais nos anos da ocupação nazi, sobretudo após a proibição de organizações maçónicas a 13 de Agosto de 1940. A partir desta data, todas as lojas maçónicas tiveram que passar à clandestinidade ou fechar as suas portas, fossem elas regulares ou irregulares.
     Pode-se supor que terá sido em 1937 que Plantard fundou a Alpha Galates ("Os Primeiros Gauleses"), a crer na data que este inseriu no documento dos estatutos da ordem. Se a Union Française era, para Plantard, o seu "braço político", a Alpha Galates seria o "braço místico", ou cavaleiresco. Uma moderna ordem de cavalaria, com estatutos, graus, regras, enfim, tudo comme il faut! Os estatutos da Alpha Galates, com grande probabilidade redigidos na velhinha máquina de escrever de Plantard, estão datados de 27 de Dezembro de 1937. Submetida, segundo indica o próprio documento, à Prefeitura de Polícia, esta "Grande Ordem de Cavalaria" estava sedeada em casa da mãe de Plantard, no número 10 da Rue Lebouteux (XVIIème). Plantard, neste documento, apelida a sede do seu movimento de Arche Centrale. Plantard assina Pierre de France, e indica no final do documento que imprimiu 1.379 cópias numeradas na tipografia Imprimerie Poirier Murat, no número 45 da Rue du Rocher, em Paris.
     A evidência de que Plantard queria fazer da Alpha Galates algo de mais sofisticado do que um grupo político é notória na afirmação, do Artigo 7 dos Estatutos, de que a "discussão de qualquer questão política dentro da Ordem está proibida". Por um lado, Plantard parece querer dar uma tónica cavaleiresca, esotérica e filosófica à Alpha Galates, relegando as discussões políticas para a Union Française. Por outro lado, esta frase de Plantard poderá ser apenas um preventivo para evitar as perseguições das autoridades policiais, que vigiavam de perto todos os movimentos políticos. Um dado importante é retirado também deste Artigo 7: "A Ordem está rigorosamente fechada a judeus, e a qualquer membro reconhecido como pertencente a uma ordem Judaico-Maçónica"7.
     A título de curiosidade, e como veremos mais adiante, a Alpha Galates de Plantard viria a ser ridicularizada por pelo menos um movimento de extrema-direita, sobretudo devido ao nome escolhido por Plantard para o grau mais elevado da sua Ordem: Sa Majesté Druidique, ou "Sua Majestade Druídica"! Convenhamos: Plantard tinha 17 anos!
     Como vemos, o nome remete-nos para o ideário de Camille Savoire e de André Savoret.
     A 16 de Dezembro de 1940, Pierre Plantard escreve uma carta ao Marechal Pétain (assina "Varran de Vérestra"), que pelo seu interesse merece ser lida na íntegra:

Carta de Plantard ao Marechal Pétain - 16 de Dezembro de 1940     Segunda página
Carta de Plantard ao Marechal Pétain - 16 de Dezembro de 1940

     "Paris, 16 de Dezembro de 1940
     Senhor Marechal PÉTAIN
     Chefe de Estado Francês
     VICHY
     Queira desculpar-me se eu tomo a grande liberdade de vos escrever esta noite, porque apesar da minha actividade, das minhas conferências, do meu jornal, eu permaneci talvez para vós um desconhecido, mas que importa, vós deveis me compreender, sobretudo crer em mim.
     Escrevo-vos esta noite, como escrevi a 8 de Setembro de 1939 (por carta registada de 8/9/39 nº. 255, do posto dos Correios nº. 37 de Paris) a Édouard Daladier para lhe suplicar «que ponha termo a uma guerra criada pelos Judeus, na qual tantas vidas humanas tombariam, e da qual não seríamos os vencedores»; é meu dever expor-vos a verdade nalgumas frases rápidas.
     Eu sei que vós sofreis no mais profundo do vosso coração de soldado por saber que o povo de França duvida da vossa sinceridade e do vosso patriotismo, mais talvez que do nosso recente desastre, mas eu sei também do vosso imenso amor pelo nosso país, e estou certo que vós tentareis o impossível para o salvar mais uma vez.
     Senhor Marechal, é preciso agir e depressa, oh! não tomeis isto com ordens da minha parte, porque não passam de súplicas, súplicas de um jovem francês e de um homem de estudos, o qual sabendo a verdade tem tentado, desde há três anos, fazer lucrar o seu país do pouco que sabe; ele pensou que gritando bem alto o que tinha que ser gritado, ele seria escutado e que aquilo que ele sabia seria util para limitar os danos que ameaçam a sua pátria. Nesta acção tão estéril que seja, ele fez o seu dever, contudo, mais uma vez, mesmo se ele não é escutado, ele tem que gritar a verdade por muito terrível que ela seja: «Senhor Marechal, a sua vida está ameaçada, a revolução está em marcha, muito próxima, em talvez apenas oito dias ela poderá eclodir...»
     É PRECISO AGIR! É preciso que com a recepção desta carta, sejam dadas ordens severas mas secretas. É preciso parar desde a sua vinda esta terrível conspiração «franco-maçónica e judaica» afim de evitar uma terrível carnificina à França e ao mundo.
     Presentemente, disponho de uma centena de homens seguros e devotos à nossa causa, eles estão prontos para combater sob as vossas ordens até às suas últimas forças, contudo o que é isto contra as forças de que dispõem os nossos inimigos? Seja como for, eles lutarão comigo se for útil pela nossa causa.
     Devoto às vossas ordens,
     Varran de Vérestra
     22 Place Malesherbes
     Paris (17ème)"8

     Esta carta, apesar de escrita por um Plantard com apenas vinte anos, evidencia já de forma clara o activismo político exacerbado e exagerado desta personagem, que tem o desplante de querer avisar o Marechal Pétain dos perigos de uma conspiração judaico-maçónica. A carta é bem clara ao evidenciar o modo de pensar do jovem Plantard nas suas primeiras tentativas de obter atenção pública. Estas tentativas cedo levantariam suspeitas junto das autoridades policiais, que passariam doravante a manter o jovem Plantard sob vigia. É o que se pode constatar pela leitura de dois relatórios policiais9, datados de 8 de Fevereiro de 1941 e 9 de Maio de 1941 respectivamente.

Relatório policial - 8 de Fevereiro de 1941     Segunda página
Relatório policial - 8 de Fevereiro de 1941

     No relatório de polícia de 8 de Fevereiro de 1941, podemos ler, por exemplo, que “o autor da carta enviada ao Marechal Pétain (…) não é outro senão PLANTARD, Pierre Athanase Marie, dito «VARRAN» de Vérestra”10. Em síntese, eis como termina este relatório de polícia sobre o jovem Plantard:

     "Com efeito, Plantard, que se gaba de se relacionar com vários homens da política, surge como um daqueles jovens iluminados e pretensiosos, chefes de grupos mais ou menos fictícios, querendo aparentar importância e que aproveitam o movimento actual em favor da juventude para tentar obter a consideração do Governo."11

Carta de Plantard para a Prefeitura de Polícia de Paris - 21 de Abril de 1941
Carta de Plantard para a Prefeitura
de Polícia de Paris - 21 de Abril de 1941

     Numa carta surpreendente de Plantard para a Prefeitura de Polícia de Paris, datada de 21 de Abril de 1941, podemos ler o jovem “Varran de Vérestra” a comunicar às autoridades, de forma pedante, que o seu movimento decidira “tomar posse, com autorização das altas Autoridades Alemãs, do local desocupado no número 22 da Place Malesherbes (…) alugado ao judeu inglês Shapiro combatente (…) nas armadas inglesas”12. Note-se que se trata do próprio prédio onde Plantard habitava com a mãe no sexto piso. O então desocupado apartamento do senhor Shapiro, que Plantard tencionava ocupar “no dia 26 de Abril de 1941 às 15 horas em ponto”, ficava no primeiro andar. Contudo, um relatório policial de 9 de Maio de 194113 dá conta de que o imóvel não fora ocupado porque Plantard não apresentara a necessária autorização das autoridades alemãs.

Relatório policial - 9 de Maio de 1941     Segunda página     Terceira página
Relatório policial - 9 de Maio de 1941

     Em Maio de 1941, Pierre Plantard funda outra associação, chamada Renovation Nationale Française. A tendência de Plantard para formar associações quase fictícias prendia-se com uma necessidade de chamar a atenção sobre a sua pessoa. Conforme atesta o relatório policial de 9 de Maio de 1941, a polícia via Plantard como um "jovem pretensioso" que queria obter o máximo possível de atenção, sobretudo porque ele sabia que existia uma tendência das autoridades para tomar especial atenção com movimentos juvenis. Uma associação com o nome de "Renovação Nacional Francesa" tinha tudo para atrair a atenção dos ocupantes alemães, e a associação viu negada a autorização de existência pelas autoridades nazis a 3 de Setembro de 1941. Relembramos que neste período, França estava dividida ao meio, com uma parte que incluía Paris ocupada pelas autoridades nazis, e outra parte constituída pela República de Vichy, liderada pelo Marechal Pétain. Assim, Plantard vivia numa cidade ocupada pelos nazis, ao mesmo tempo que era um admirador incondicional de Pétain. A preocupação das autoridades torna-se assim evidente.

 

 

Os anos da Vaincre (1942-1943)

 

     A 21 de Setembro de 1942 é editado o primeiro número da revista Vaincre, que Plantard criara para servir de jornal oficial da Alpha Galates. Nesta revista, Plantard era o editor, o redactor, o paginador, sendo que ele assinava com o já conhecido "Pierre de France". Plantard manteve esta revista entre 1942 e 1943. É de salientar que o documento Statuts de L'Alpha-Galates apenas aparece pela primeira vez neste primeiro número da Vaincre, datado de 21 de Setembro de 1942, apesar de Plantard datar os seus estatutos de 27 de Dezembro de 1937. A revista Vaincre teve seis números, entre 21 de Setembro de 1942 e 21 de Fevereiro de 194314.
     Apesar da profusão de nomes que encontramos como autores dos artigos da Vaincre, seriam participantes reais ou fictícios? Plantard escreveria tudo sozinho? Ou seria o aprendiz de um movimento esotérico real e influente, de um movimento para-maçónico importante nos bastidores políticos parisienses?
     Seria possível que Plantard fosse ajudado por personagens como Auguste Brisieux, Jean Falloux, Robert Amadou, Jacques Brosse, Le Comte Moncharville, Camille Savoire, Georges Monti, Louis Le Fur, e Hans Adolf von Moltke?
     Como curiosidade, este último era o embaixador alemão em Madrid, figura importante da direita espanhola, durante a Guerra Civil naquele país. Estaria Plantard apenas a fazer bluff, dando a impressão de que por detrás da Vaincre estavam pessoas com relevância política? A Alpha Galates era mesmo poderosa?
     Infelizmente, será necessário mais trabalho de investigação em torno das figuras mencionadas, para serem encontradas respostas satisfatórias.
     Robert Amadou, por exemplo, corresponde a um gnóstico cristão de Lyon.
     O nome de Le Comte Moncharville deverá corresponder, como sugere Iannaccone15, a Marcel Lecomte-Moncharville, autor de obras de direito internacional, obras sobre heráldica, e sobre a história do Principado do Mónaco.
     Na Vaincre, nos números 3, 4 e 5, podemos ler as várias partes de um artigo atribuido a Le Comte Moncharville, intitulado L'Est et l'Ouest. Como complemento ao nome do autor, é referido no artigo que Le Comte Moncharville foi “Líder da Missão Governamental ao Tibete”. Quem conhece as raízes esotéricas do nacional-socialismo, bem como a história da Sociedade Teosófica, criada por H. P. Blavatsky, sentir-se-á muito familiarizado com o conteúdo deste relato:

     "Durante a missão ao Tibete, consegui contactar – enquanto estava em Lassa, na Cidade Proibida de Agartha, que é a sede do Governo do Buda Vivo, o «Dalai Lama» – com vários monges do grande mosteiro daquele local.
     Durante os vários anos da minha missão em Lassa, consegui ganhar a confiança e amizade deles todos, e aprendi aquilo que provavelmente mais nenhum iniciado do Oeste alguma vez conheceu, e que comparado à famosa «Doutrina Secreta» de H.-P. Blavatsky faz esta parecer apenas um fragmento da verdade.
     Quando estava prestes a regressar, os monges levaram-me a uma escadaria que parecia interminável, esculpida na montanha, e que formava uma verdadeira cidade subterrânea localizada sob os Templos. Ali eles permitiram-me vislumbrar a colecção de objectos que tinha sido trazida da Atlântida antes da catástrofe.
     Depois, visitei o Santuário do Dragão, onde, pela primeira vez no Oriente, assisti a uma cerimónia de um Rito Superior, e finalmente, durante os meus últimos dias ali, tive a oportunidade de contemplar máquinas eléctricas de um tipo hoje desconhecido, que tinham sido trazidas da Atlântida e que permitiam transmitir às salas subterrâneas uma luz e atmosfera exactamente iguais às existentes a céu aberto, o que me surpreendera imenso durante esta minha primeira visita ao coração da montanha.
     Estas máquinas foram também usadas pelo «Dalai Lama» para erigir em redor da Cidade Proibida de Agartha barreiras magnéticas que impedem que estrangeiros indesejados penetrem no interior.
     Bem, isto é muito bonito para o Oriente, dir-me-iam, mas será que o Oeste apenas tem como doutrina a do Catolicismo, a doutrina que trouxe a civilização ao Oeste? Isso seria um erro grosseiro, porque a França, através da Bretanha, foi também familiarizada com a tradição Atlante, da qual o culto Druida (com os seus sacrifícios ao Sol, a cerimónia do azevinho, os menires e os dólmens, e as instituições de cavalaria) é o que dela sobrevive.
     As comunidades fundadas pelos Druidas incluiam um mosteiro no presente local do Monte Saint-Michel. Naqueles tempos o mosteiro era chamado de Santuário do Dragão.
     Quando o Catolicismo expulsou os Druidas da Gália, alguns monges juntaram as tradições Atlantes e formaram a Alpha, que então se separou em dois ramos: os Cistercienses, que adoptaram o Cristianismo, e a Ordem Cavaleiresca da Gália, que preservou a doutrina Atlante."

     Este relato lembrou-me uma obra ficcional de todos conhecida, a Viagem ao Centro da Terra (1864), de Júlio Verne (1828-1905), sobretudo pelas descrições da terra subterrânea, que também surge iluminada com uma estranha luz natural. Esta obra de Júlio Verne está carregada do simbolismo do Agartha, o subterrâneo Centro do Mundo. Isto pode parecer estranho ao leitor menos acostumado, mas o ideário de Júlio Verne esteve muito próximo do ideário esotérico que temos vindo a explorar16.
     Mas prossigamos com a análise dos nomes dos restantes autores na Vaincre.
     O espião Georges Monti (1880-1936) era um amigo muito próximo de Camille Savoire. Monti morrera em 1936, em circunstâncias que deixam supor acção criminosa. Gérard de Sède refere17 que Monti habitava na Rue du Rocher, a mesma rua onde a Vaincre era impressa, na tipografia Poirer Murat, no número 4518. Para já, como refere Paul Smith, este dado vem apenas de Gérard de Sède, e por isso é pouco fiável. Depois, e com razão, Smith não considera este indício suficiente para que se possa afirmar que Monti, ou mesmo Savoire, estivessem por detrás de Plantard, da Vaincre, e da Alpha Galates.
     Sobre Louis Le Fur (1870-1943) não foi fácil arranjar informação biográfica.
     Vejamos agora um artigo, no segundo número da Vaincre, de 21 de Outubro de 1942, atribuido a Auguste Brisieux, onde se fala sobre o simbolismo da “Cruz do Sul”:

     "A Lemuria, um pequeno país situado no antigo continente da Atlântida, de tamanho aproximado ao da nossa Bretanha, e que hoje não passa de um vestígio de mil anos de história, rica em glória espiritual, moral e intelectual, da qual a «Cruz do Sul» era o emblema nacional, aparece-nos use encoberta em mistério, um mistério que muitas lendas ajudaram a preservar. Na realidade, contudo, esta era a Terra dos Iniciados, e enquanto nós mesmos ainda estamos na nossa infância os Lemurianos sabiam tudo sobre o poder das ondas, sobre as leis do Cosmos e sobre os ciclos kármicos – eles sabiam como governar e como obedecer. (…)
     Mas para os homens, bem como para as nações, a lei do Karma existe – Atlantis, submersa sob as chamas purificadoras, sofreu a penalidade pelos seus pecados.
     Contudo, a Cruz do Sul, uma constelação no hemisfério sul, que ilumina com o seu esplendor, permaneceu a feliz insígnia dos grandes iniciados do Oeste, aqueles filhos dos Mestres da Luz que preservaram o conhecimento dos seus ilustres antepassados nos seus templos, graças ao maravilhoso simbolismo pelo qual podemos ainda apreciar a beleza do Espiritualismo, um ensinamento que é hoje ainda mais precioso porqu estamos no limiar de uma profunda revolução na história da nossa Terra, porque esperamos justamente que a França permaneça esta eterna terra dos Mestres da Luz, onde cada pessoa poderá abastecer-se de uma pequena parte desta verdade, e onde, nos dias de regozijo, «a Cruz do Sul será o ponto de união para os puros de coração»."19

     Como vemos, um texto claramente new-age, com uma mistura sincrética de termos ocidentais com termos orientais (veja-se o uso do termo “karma”), e no qual podemos reencontrar uma linguagem quiliasta e milenarista.
     Particularmente elucidativo é também o artigo Qu'est-ce que c'est L'Alpha, assinado “Camille Savoire”. Quer se tratasse ou não do próprio Savoire (o estilo desajeitado do artigo faz supor que não), o que se afigura importante é a utilização de material anterior, de material recuperado em grande parte dos nomes e movimentos que foram mencionados nos capítulos anteriores.
     Neste artigo, lê-se que a Alpha é “o pináculo esotérico da Cristandade, de cujo credo preserva os princípios na sua totalidade”. Afirma-se que os membros da Alpha são “cavaleiros ferventes de Cristo-Rei”, uma alusão que nos pode remeter para Paray-le-Monial e para o Hiéron du Val d'Or, e “crentes resolutos na sinarquia”, o que faz recordar a obra de Alexandre Saint-Yves d'Alveydre (1842-1909), mais concretamente a obra póstuma Mission de l'Inde en Europe (1910). A linguagem usada neste artígo parece inspirada na tradição de Martinez de Pasqually20, de Louis-Claude de Saint-Martin, ou mesmo de Jean-Baptiste Willermoz21.
     Apenas umas palavras sobre sinarquia… É frequente dizer-se que Saint-Yves d'Alveydre inventou o termo sinarquia, mas tal afirmação é incorrecta. A obra de Saint-Yves está solidamente apoiada no conceito de sinarquia, que no entanto é-lhe anterior, e cujo significado é oposto ao de anarquia. Este termo pode também remeter-nos, se bem que indirectamente, para Joseph de Maistre, cujas ideias acerca do governo dos povos e da organização do estado eram próximas das da sinarquia22.
     Este artigo fala ainda dos “gloriosos antepassados, os Druidas”, o que nos coloca definitivamente no ambiente intelectual de André Savoret e do seu círculo, e nos faz pensar de novo no padre Henri Boudet e na sua obra La Vraie Langue Celtique.
     Plantard também leria certamente a revista Atlantis, de Paul Lecour. Através do material do Priorado de Sião, há inegáveis traços de plágio da obra de Paul Lecour, como se poderá ver mais adiante. Este último, como sabemos, escreveu numeros artigos sobre o movimento católico do Hiéron du Val d'Or, de Paray-le-Monial, fundado em 1873. Plantard pode ter retirado de Paul Lecour o seu fascínio pelas temáticas do Hiéron, e poderá também ter retirado inspiração das obras de René Guénon, de Antoine Fabre d'Olivet (perito em hebreu, autor da importante obra La Langue Hebraique Restituée), de Saint-Yves d'Alveydre, bem como de tantos outros nomes atrás referidos. Como vimos, há todo um património ideológico, muito complexo e matizado, que tudo indica ter servido de referência a Pierre Plantard. As semelhanças são por demais evidentes.
     Num artigo do número 4 da Vaincre de 21 de Dezembro de 1942, atribuido a Louis Le Fur, encontramos o seguinte:

     "Quando, a 21 de Setembro de 1942, Le Comte Moncharville se demitiu do seu posto em favor de Pierre de France, por uns instantes fiquei preocupado com a juventude deste último, mas eu conhecia Le Comte demasiado bem para saber que se ele estava a confiar a autoridade da Ordem a este jovem desconhecido ele iria cumprir fielmente as ordens superiores, que, para nós, teriam a força de injunções sagradas."23

     Trata-se de um voto de confiança de Le Four a Plantard, “Pierre de France”.
     Tratar-se-ia de uma jogada? De um voto de Plantard a si mesmo? É difícil ter certezas nesta matéria.
     Seja como auto-didacta solitário, seja como aprendiz protegido, Plantard transporta para a segunda metade do século XX, através das suas mistificações, um vasto leque de ideias e de crenças há muito esquecidas, provenientes de movimentos católicos, de várias fraternidades maçónicas e para-maçónicas, e das mais variadas sociedades secretas, ou semi-secretas, do meio esotérico francês. Mas regressemos ao ano 1942-43, durante o qual Plantard é seguido de perto pelos serviços secretos. A 24 de Outubro de 1942, ele é investigado a pedido das autoridades alemãs, na sequência da extinção da Renovation Nationale Française.
     Poucos dias depois, a 19 de Novembro, a revista de extrema-direita Au Pilori (nº. 123) revela os graus hierárquicos inventados por Plantard para a sua Alpha Galates. A revista Au Pilori parece fazer chacota do movimento de Plantard: o autor do texto, tendo recebido um exemplar da Vaincre, e regozijando-se com a "nova Ordem de Cavalaria", deseja todo o sucesso a "Sua Majestade Druídica". Naturalmente, os autores da Au Pilori eram franceses seguidores do nacional-socialismo hitleriano. Repudiavam o galicanismo de Pétain, e certamente veriam nos "primeiros gauleses" idolatrados por Plantard sinais evidentes de uma adesão a esse galicanismo que tanto detestavam. Durante a ocupação nazi de parte de França na Segunda Guerra Mundial, há que sublinhar a grande diferença entre os franceses apoiantes de Hitler e os franceses apoiantes da República de Vichy e dos ideais de Pétain, apesar do governo de Vichy ser colaboracionista. Por detrás da revista Au Pilori não estavam nacionalistas franceses mas sim nazis franceses. Para estes, o nacionalismo ao estilo de Pétain era "nacionalismo antiquado".
     A 29 de Novembro de 1942, os serviços secretos elaboram o primeiro relatório sobre a Alpha Galates. A 3 de Janeiro, a polícia parisiense redige mais um relatório24 sobre Pierre Plantard, sobre a Vaincre e a Alpha Galates, no qual recapitula todos os dados já referidos anteriores relatórios, completados agora com dados sobre a Vaincre.

Relatório policial - 3 de Janeiro de 1943     Segunda página
Relatório policial - 3 de Janeiro de 1943

     Os primeiros números da Vaincre estavam repletos da propaganda nacionalista que mais irritava as autoridades nazis. As referências ao Marechal Pétain nos primeiros números desapareceram do número 5, datado de 21 de Janeiro de 1943. Plantard percebeu depressa que a sua posição pró-Pétain estava a causar-lhe dissabores com as autoridades: o artigo Voilá la Vérité é um claro sinal disso – Plantard recoloca a tónica na oposição do "inimigo comum", a maçonaria do Grande Oriente de França. Plantard insiste que a sua organização e o nazismo têm este inimigo em comum, e que qualquer bloqueio à sua Alpha Galates prejudica os ideais nazis. A pretensão do jovem Plantard, com apenas vinte e dois anos, surge aqui de forma clara. Mas não nos deixemos enganar pela "operação de charme" deste artigo: Plantard é um nacionalista francês, com ainda tímidas aspirações a esoterista, que está a tentar aproveitar o máximo do que a ocupação nazi tem de útil para os seus intentos, ao mesmo tempo que tenta passar ileso pelo controlo e pela censura das autoridades ocupantes.
     No dia 21 de Fevereiro de 1943, Plantard lança o sexto e último número da Vaincre25. O Conde de Moncharville tinha morrido uns dias antes, a 23 de Janeiro, e este último número da revista de Plantard traz mais um artigo que lhe é atribuído.
     Até ao final da Segunda Guerra Mundial, Plantard jogaria este “jogo do gato e do rato” com as autoridades. Plantard persistia em manter em funcionamento organizações não autorizadas, e em imprimir e distribuir os seus panfletos. Paris é libertada a 25 de Agosto de 1944. Tendo cessado a ocupação, Plantard não perdeu tempo e relançou a sua "ordem de cavalaria".
     Um relatório policial26 do pós-Guerra, de 13 de Fevereiro de 1945, dá conta da criação de uma nova Alpha Galates por Pierre Plantard a 6 de Setembro de 1944 (duas semanas após a libertação de Paris), que seria comunicada às autoridades a 12 de Setembro, ficando devidamente registada como “Associação” na Prefeitura de Polícia, ao abrigo da lei de 1 de Julho de 1901, que obrigava à declaração legal das associações.
     Este mesmo relatório dá conta de que Plantard teria cumprido uma pena de prisão de quatro meses em Fresnes (data não referida). Um outro relatório policial de 6 de Junho de 1946 repete o conteúdo do anterior, sintetizando-o, e concluindo do mesmo modo: “a associação [Alpha Galates] não tem qualquer carácter sério”27.
     Em 1947, Plantard funda com a sua mãe a Académie Latine, com objectivos de "pesquisa científica". Segue-se um período de acalmia na vida de Plantard, até à sua mudança para Sous-Cassan, Annemasse, na Alta Sabóia, que a polícia dá como tendo ocorrido em 1951.
     Um documento policial, datado de 4 de Maio de 195428, dá conta de um pedido por parte de Plantard de um certificado de detenção durante a Segunda Guerra Mundial. Sobre esta questão, a polícia refere uma declaração da mãe de Plantard, na qual ela diz que o seu filho fora “preso pelos Alemães (…) e encarcerado quatro a cinco meses na prisão de Fresnes onde teria sido alvo de numerosas sevícias”. A polícia, repetindo muitos dos dados já referidos sobre a vida de Plantard, especifica que “as verificações feitas nos diversos serviços administrativos da Prefeitura de Polícia não permitiram encontrar provas concretas da prisão de Plantard”29.

 

 

Um tesouro templário em Gisors?

 

     No relato da história do Priorado de Sião, não são poucas as alturas em que se tem que fazer um desvio narrativo. A questão de Gisors é um desses momentos. Antes de se interessar por Rennes-le-Château, Pierre Plantard concentrou-se durante algum tempo no enigma de Gisors, cidade normanda do Eure.
     Antes de falar deste enigma, vejamos como nasceu o interesse de Plantard por este assunto. Tudo principiou com Gérard de Sède, que desde o final dos anos cinquenta começara a manifestar publicamente o seu interesse pelo caso Gisors.
     Em 1960, Pierre Plantard faz o primeiro contacto com Gérard de Sède, na sequência da leitura de um artigo deste último sobre Gisors, publicado na revista Noir et Blanc30 É, portanto, através de Gérard de Sède que Plantard descobre o enigma de Gisors.
     No ano seguinte, a 15 de Dezembro de 1961, Plantard deposita na Biblioteca Nacional de Paris um opúsculo dactilografado com o título Gisors et son secret.
     Gérard de Sède publica, na Juillard, em Maio de 1962, a obra Les Templiers sont parmi nous, uma obra escrita em colaboração (se bem que não admitida) com Pierre Plantard, dedicada ao enigma de Gisors, que dizia respeito a um hipotético tesouro templário. Esclarecidos estes detalhes, vejamos em que consiste este enigma…
     Gisors31 é um local histórico pelo seu castelo, um dos mais velhos da Normandia, que data do final de 1096. A associação dos templários a Gisors é frequentemente exagerada, uma vez que a ordem assume a administração do castelo entre 1158 e 1161, ou seja, durante apenas três anos.
     O castelo de Gisors não é relembrado tanto pelos Templários, mas sim pelo importante acontecimento que ali teve lugar, em 1188, relacionado com a história da Terceira Cruzada. Recordemos que a humilhante e catastrófica derrota cristã pelos exércitos de Saladino na batalha de Hattin, local apenas a dez quilómetros de Tiberíades e do mar da Galileia, provocaria a comoção e o desânimo do Ocidente, e lançaria as bases para a Terceira Cruzada. Qual era o ambiente nesta manhã de guerra, que terminaria em tão desastrosa catástrofe para os Francos?

     "A manhã de sexta-feira, 3 de Julho [de 1187], estava quente e abafada, quando o exército cristão deixou os verdes jardins de Sefória para marchar através das colinas sem vegetação. (…) Não havia água ao longo da estrada. Em breve os homens e os cavalos sofriam as agruras da sede. A sua agonia retardava o ritmo da marcha. Salteadores mouros atacavam continuamente tanto a vanguarda como a rectaguarda, atirando flechas para o meio dos contingentes e afantando-se antes que estes pudessem efectuar um contra-ataque. Pela tarde, os francos tinham alcançado o planalto imediatamente acima de Hattin. À sua frente, erguia-se uma colina rochosa de cerca de trinta metros com dois cumes, e para além desta, o terreno caía a pique para a aldeia e para o lago. A colina era conhecida como os Cornos de Hattin. (…) Saladino, aguardando com os seus homens no verdejante vale mais abaixo, mal podia conter a sua alegria: a sua oportunidade chegara, por fim."32

     A derrota foi clamorosa para os Francos e a glória de Saladino foi total. Aos olhos dos cristãos ocidentais a altura era de desolação, pois os lugares santos seriam de novo profanados. O velho Papa Urbano III não resistiu ao desânimo da má notícia e morreu a 20 de Outubro desse mesmo ano. O seu sucessor, Gregório VIII, Papa durante apenas dois meses, lançou as bases para uma nova mobilização da Cristandade. O seu trabalho seria continuado pelo Papa Clemente III, que não perdeu tempo: enquanto ele próprio tentava contactar o imperador “Barba Ruiva”, Frederico I de Hohenstaufen, enviava através dos Alpes o Arcebispo de Tiro, Josias, para que este trouxesse os reis de França e Inglaterra para a causa.
     Mas em Inglaterra já se sabia a notícia da derrota, desde que chegara ao rei Henrique II Plantageneta uma carta escrita em Setembro pelo patriarca Aimery, da cidade de Antioquia. As relações com França estava péssimas, e as querelas entre Henrique II e o rei Filipe Augusto de França pareciam intermináveis. No entanto, pelo esforço de pregação do Arcebispo de Tiro, os dois monarcas decidem uma trégua, pactuada precisamente em Gisors em Janeiro de 1188, e fazem promessas de partir tão depressa quanto possível para a Cruzada.
     As desavenças entre os dois monarcas ficaram celebrizadas na lenda do “Corte do Olmo”, na qual os franceses, por vingança, teriam cortado uma árvore muito antiga, um olmo (ou ulmeiro), localizado num campo que ladeava com o castelo de Gisors, o Champ Sacré. Plantard iria usar esta lenda, e o simbolismo do corte do ulmeiro, para criar a ficção do cisma entre a Ordem dos Templários e o próprio Priorado de Sião, que segundo Plantard se chamaria na altura “Ormuz”. Segundo as teses do Priorado de Sião, a sociedade secreta fora, em tempos, una com o Templo, mas actuando nos bastidores, enquanto que o Templo actuava no mundo exterior. Por esta razão, os Dossiers Secrets sustentam que antes de 1188 os grão-mestres dos Templários eram também grão-mestres do Priorado de Sião. Em 1188, uma fantasiosa cerimónia em Gisors, também apelidada de “Corte do Olmo”, teria então, segundo os Dossiers Secrets, oficializado a separação entre o Templo e o Priorado:

     "1188 – corte do olmo em França, em Gisors (Eure), separação do Templo, alguns mestres fundam a Ormuz sob protecção de Saint-Samson de Orleães"33

     Mas o verdadeiro enigma de Gisors tem lugar em pleno século vinte, com o jardineiro Roger Lhomoy34. Desde criança que Lhomoy, natural da região, se fascinara pelas histórias sobre o castelo e pelas lendas que davam conta de um tesouro templário escondido naquele local. Nos anos quarenta, Roger Lhomoy é contratado para guardar o castelo e a Câmara Municipal atribui-lhe uma residência dentro do próprio complexo medieval, o que dá imensa alegria a Lhomoy, que assim se vê com tempo e privacidade para se dedicar ao seu sonho tesoureiro e às suas pesquisas…
     É à noite, longe de todos os olhares, que Roger Lhomoy faz as suas escavações e procura afincadamente o tesouro. A partir do final da Segunda Guerra, Lhomoy intensifica as escavações. Começa por escavar por fora da muralha do castelo, e acaba por encontrar os subterrâneos, que hoje em dia podem ser facilmente visitados. Do lado de dentro da muralha, no sopé do torreão, existia um antigo poço que naquela altura estava entupido. Lhomoy começa a escavar no próprio poço, com o intento de o desentupir, e consegue prosseguir até a uns impressionantes trinta metros de profundidade. É então que uma parte da parede do poço desaba, ferindo Lhomoy.
     Com uma perna partida, o jardineiro vê-se obrigado a uma pausa forçada nas suas explorações, enquanto recupera do acidente. No entanto, já restabelecido, Lhomoy não quer voltar ao poço antigo e ao local onde quase perdera a vida com a derrocada.
     Estamos em Junho de 1944. Lhomoy concentra-se na escavação de um novo poço, perto do antigo, possivelmente acreditando que neste local encontraria melhores condições de estabilidade e consistência do solo. As escavações eram totalmente amadoras: Lhomoy recorria a instrumentos rudimentares: pás, picaretas, uma lanterna, cordas... Mas desta vez, Lhomoy não quer correr os riscos do trabalho solitário: recorre a um confidente, o seu amigo Lessenne. Imaginamos o jardineiro a tentar aliciar o amigo para uma tarefa arriscada, mas que poderia trazer a fortuna para ambos.
     Os dois amigos escavam dezasseis metros na vertical, paralelamente ao antigo poço, e encontram uma sala vazia com quatro metros por quatro. Apesar da surpresa, Lhomoy está desiludido: não se vislumbra tesouro algum. É então que ele decide mudar de direcção, esquecendo a sala vazia e escavando na horizontal na direcção do antigo poço. Lhomoy faz nove metros na horizontal, antes de voltar a decidir escavar na vertical, o que fará por mais quatro metros. Em suma, o jardineiro atinge um ponto em que está a vinte e um metros da superfície, em condições arrepiantes de insegurança e precaridade.
     Estas escavações, aqui relatadas sucintamente, foram efectuadas ao longo de dois anos. É somente em Março de 1946 que o jardineiro, munido de uma barra metálica, desce até ao ponto mais fundo para tentar vencer um obstáculo que encontrara, que ele descobre ser uma parede em pedra…
     Limpando a superfície do obstáculo, Lhomoy constata que está perante uma parede construida com pedras talhadas. Picando uma das arestas, o jardineiro consegue fazer sair uma das pedras do seu lugar. O barulho desta operação provoca um eco, e assim que consegue abrir um orifício, Lhomoy introduz a sua fraca lanterna: a luz não permite vislumbrar a totalidade da sala, mas o eco faz supor que a sala é de grandes dimensões. A descrição de Lhomoy é muito viva:

     "Aquilo que eu vi naquele momento nunca mais esquecerei, porque era um espectáculo fantástico. Estou numa capela Romana em pedra de Louveciennes, com trinta metros de comprimento, nove de largura, e aproximadamente quatro metros e meio de altura até à chave da abóbada. Imediatamente à minha esquerda, perto do buraco pelo qual passei, existe um altar, também ele em pedra, bem como o seu tabernáculo. À minha direita está o resto da edificação. Nas paredes, a meia altura, sustidas por modilhões35 de pedra, as estátuas de Cristo e dos doze apóstolos, em tamanho natural. Ao longo das paredes, poisados no solo, sarcófagos de pedra com dois metros de comprimento por sessenta centímetros de largura: existem dezanove destes. Na nave, o que a luz ilumina é incrível: trinta cofres em metal precioso, alinhados em colunas de dez. E a palavra cofre é insuficiente: seria melhor falar de armários deitados, de armários que medem, cada um, dois metros e vinte de comprimento, um metro e oitenta de altura e um metro e sessenta de largura."36

     Entusiasmado com a descoberta, Lhomoy apressa-se a contactar a Câmara Municipal de Gisors, onde expõe em sessão plenária o teor da sua descoberta. Uma delegação camarária acompanha o jardineiro ao local da entrada do novo poço. Ninguém se aventura a descer ao buraco. Um funcionário da Câmara teria mesmo afirmado “Meus senhores, têm à vossa frente a obra de um louco!”. Entre as juras de Lhomoy e a curiosidade que ele levantara, e o risco enorme da descida àquele buraco artesanal, era difícil decidir o que fazer. Surge finalmente um voluntário: Émile Beyne, ex-oficial de engenharia, que desempenhava o cargo de bombeiro nos Sapadores de Girors. O corajoso Beyne desce os dezasseis metros na vertical, percorre a galeria de nove metros na horizontal, e detém-se perante a parte final de quatro metros na vertical. O ar é irrespirável e a sensação é claustrofóbica. As paredes parecem prontas a desabar a qualquer instante. O bombeiro Beyne contenta-se em lançar algumas pedras para a parte final do túnel, que acaba no orifício aberto por Lhomoy. Regressado à superfície, Beyne confirma que no fundo do poço as pedras por ele atiradas “fazem eco”. Mas Lhomoy não obtém de Beyne a confirmação visual da sala e do seu conteúdo, o que teria sido um testemunho abonatório altamente credível para a sua causa.
     No entanto Lhomoy persistiu, e com a confirmação do eco por parte do bombeiro Beyne, o jardineiro achou que tinha razões suficientes para conseguir uma autorização por parte da Câmara para escavar mais, e assim trazer à luz a sua descoberta.
     Não só a autorização foi recusada, como a Câmara enviou para o local uma equipa de prisioneiros alemães que aterraram por completo o local, para desespero de Lhomoy.
     Durante largos anos o assunto foi morrendo e as descobertas do jardineiro cairam no esquecimento, até à publicação do livro Les Templiers sont parmi nous, de Gérard de Sède, em Maio de 1962.
     É então que o assunto salta para a ribalta37. O jardineiro Lhomoy é convidado para o programa televisivo Lecture pour tous. Como consequência das declarações televisivas de Lhomoy, espalha-se o pandemónio nos meios arqueológicos e administrativos. As autoridades patrimoniais encarregadas de Gisors, bem como responsáveis pelos arquivos departamentais e outras importantes figuras da cidade, surgem publicamente a desmentir as declarações do jardineiro, afirmando que é impossível que exista uma cripta sob o torreão de Gisors.
     Neste mesmo mês, possivelmente para tentar acabar com a polémica, André Malraux, então Ministro de Estado para os Assuntos Culturais, decide selar o torreão de Gisors e levar a cabo um empreendimento arqueológico em grande escala. A empreitada tinha como objectivo a limpeza dos túneis escavados por Lhomoy, que a Câmara mandara aterrar em 1946. A 12 de Outubro de 1962, tendo sido dadas como terminadas as escavações arqueológicas, tem lugar uma conferência de imprensa junto à base do torreão de Gisors. Pedem a Lhomoy que desça ao fundo do túnel recém-esvaziado, que acabava num beco sem saída. O jardineiro regressa à superfície, lavado em lágrimas, dizendo que seria necessário escavar um pouco mais fundo.
     Em Fevereiro de 1964, o ministério ordena que se siga a sugestão de Lhomoy e as escavações são retomadas. Mais uma vez, o relatório final é desanimador: nenhum sinal da cripta. Segundo o autor Michel Lamy (de cuja obra Os Templários38 retirei grande parte destes detalhes), nesta segunda campanha arqueológica governamental, o local teria sido declarado zona militar e dotado de procedimentos de vigilância e segurança bastante apertados39.
     Em que ficamos? Lhomoy mentira?
     Quem tem a verdade: o jardineiro ou o ministério francês?
     É difícil tirar conclusões sem uma investigação mais aprofundada. O que é certo é que existem numerosos registos históricos que dão conta de uma capela subterrânea em Gisors dedicada a Santa Catarina. Para começar, são relativamente bem conhecidos os subterrâneos de Gisors, uma rede de túneis que se alinham sobre um eixo norte-sul, o que permite supor uma ligação subterrânea entre o castelo de Gisors e a igreja do local, Saint-Gervais-Saint-Protais40.
     Michel Lamy refere outros indícios da existência da capela subterrânea de Santa Catarina, nomeadamente nas obras de Antoine Dorival, Tableau poétique de l'église de Gisors (1629), e de Alexandre Bourdet, Remarques sur l'histoire de Gisors (1696). Esta última contém mesmo um esboço em corte da capela de Santa Catarina. Sugere Lamy que “foi talvez este documento ou uma cópia que permitiu a Lhomoy fazer a sua descrição do local”41.
     Em suma, entende-se bem a utilidade desta história de Gisors para a mistificação do Priorado de Sião. Plantard interessara-se por este local pela razão evidente de que a capela de Santa Catarina, com os seus lendários trinta cofres em metal precioso, era um bom local para ele situar os fantasiosos “arquivos secretos do Priorado de Sião”.
     Contudo, antes de entrarmos na história do verdadeiro Priorado de Sião, temos que regressar a Rennes-le-Château, para saber o que por lá aconteceu desde a morte do padre Saunière…

 

1 Ver Marie-France James, op. cit., pp. 237-238.
2 “Chevalier Bienfaisant de la Cité Sainte”, cfr. Marie-France James, op. cit., p. 238.
3 Marie-France James, op. cit., pp. 238-239.
4 Usei como referência fundamental o trabalho documental do britânico Paul Smith, disponível na Internet em http://www.priory-of-sion.com. Como referências complementares, segui também os trabalhos de Pierre Jarnac, Les Archives du Trésor de Rennes-le-Château, Editions Belisane, Nice, 1988, e a obra do historiador de Carcassonne, René Descadeillas, Mythologie du Trésor de Rennes, Editions Collot, Carcassonne, Junho de 1991, bem como a obra de Iannaccone, que também se baseia nestas fontes.
5 Segundo Pierre Jarnac, o pai de Plantard teria sido um negociante de vinhos em Nevers, cfr. Jarnac, op. cit., p. 542.
6 Iannaccone, op. cit., p. 58.
7 Statuts de l'Alpha Galates, no site de Paul Smith.
8 Cfr. o site de Paul Smith, reproduções de documentos originais.
9 Os relatórios policiais sobre Plantard no período da sua vida que vai de 1937 a 1954 estão na posse da Prefeitura de Polícia de Paris, no ficheiro de referência "Ga P7", no número 9 do Boulevard du Palais, 75195 Paris, cfr. Paul Smith, em http://www.priory-of-sion.com.
10 Police report on Pierre Plantard dated 8 february 1941, no site de Paul Smith.
11 Ibidem.
12 Letter by Pierre Plantard to the Paris Prefecture of Police – 21 April 1941, no site de Paul Smith.
13 Police report on “French National Renewal” dated 9 may 1941, no site de Paul Smith.
14 Número 1 - 21 de Setembro de 1942: Statuts de l'Alpha-Galates - Grand Ordre de Chevalerie, Phillipe Pétain - Père de son peule, de “Pierre de France”, La Légende de Ram, tradução de um texto de Auguste Brisieux, Notre But, de Jean Falloux. Número 2 - 21 de Outubro de 1942: La «Croix du Sud», de Auguste Brisieux, Le Lieu de la Chevalerie, de Robert Amadou, La Chevalerie dans l'Histoire I, de Jacques Brosse. Número 3 - 21 de Novembro de 1942: Dans le Concile de l'Haute Cour, L'Est et L'Ouest II, do Conde de Moncharville. Número 4 - 21 de Dezembro de 1942: La France Survivra, de Pierre de France-Plantard, Par ce Signe tu Vaincras!, de Pierre de France-Plantard, Qu'est-ce que c'est L'Alpha, do Dr. Camille Savoire, Au Service de L'Alpha, de Louis Le Fur, Un Rayon de Lumière, de “Alpha-Rena”, L'Est et L'Ouest III, do Conde de Moncharville. Número 5 - 21 de Janeiro de 1943: Un Nouveau Homme, de Louis Le Fur, L'Est et L'Ouest IV, do Conde de Moncharville, Prólogo a «Voilá la Vérité», de Louis Le Fur, Voilá la Vérité, de Pierre de France-Plantard, e 27 Décembre 1942, de Pierre de France-Plantard. Cfr. Paul Smith, no seu site http://www.priory-of-sion.com.
15 Iannaccone, op. cit., p. 61.
16 Um autor que explorou este tema recentemente foi Michel Lamy, na obra Jules Verne – Initié et iniciateur, Payot, Paris, 1994.
17 Rennes-le-Château, le dossier, les impostures, les phantasmes, les hypothèses, p. 235, Éditions Laffont, Paris, 1988, citado por Iannaccone, op. cit., p. 59.
18 Este é um facto seguro, atestado pelo relatório de polícia de 3 de Janeiro de 1943. Ver Police report on “Vaincre” dated 3 january 1943, no site de Paul Smith.
19 The «Southern Cross» - rallying point for the pure in heart, no site de Paul Smith.
20 Vários autores portugueses costumam referir-se a Martinez de Pasqually como Martins Pascoal, muitas vezes aderindo à tese de que ele seria português, mas a questão da sua nacionalidade é um tema que está longe de ser consensual.
21 Iannaccone, op. cit., p. 61.
22 Ver, por exemplo, Les soirées de Saint-Pétersbourg ou Entretiens sur le gouvernement temporel de la Providence, 1822.
23 In the service of the Alpha, no site de Paul Smith.
24 Police report on “Vaincre” dated 3 january 1943, no site de Paul Smith.
25 No entanto, a revista teria ainda um breve regresso em 1989, como se poderá ver adiante.
26 The Alpha Galates police report 1945, no site de Paul Smith.
27 The Alpha Galates police report 1946, no site de Paul Smith.
28 Police report on Pierre Plantard dated 4 may 1954, no site de Paul Smith.
29 Ibidem.
30 Jarnac, op. cit., p. 547.
31 Detalhes históricos sobre Gisors e sobre o seu enigma retirados do trabalho de Jean-Patrick Pourtal, em http://www.gisors.org.
32 Runciman, História das Cruzadas, vol. II, pp. 362-363, Livros Horizonte, Lisboa, 1993.
33 Les dossiers secrets d'Henri Lobineau, depositado a 27 de Abril de 1967 na Biblioteca Nacional de Paris, sob a cota BNP: 4º Lm1 249.
34 Ver também, sobre este assunto, o interessante capítulo Gisors: Et in Arcadia ego, da obra de Michel Lamy, Os Templários, pp. 299-316, Editorial Notícias, Lisboa, 1996.
35 Termo arquitectónico, do italiano “modiglione”: «suporte saliente de uma parede, com mais avançamento que altura, colocado na parte inferior de uma cornija, trave… ˜ Cachorro», do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, da Verbo, 2001.
36 “Ce que j'ai vu à ce moment là, je ne l'oublierai jamais, car c'était un spectacle fantastique. Je suis dans une chapelle Romane en pierre de Louveciennes, longue de trente mètres, large de neuf, haute d'environ quatre mètres cinquante à la clef de voûte. Tout de suite à ma gauche, près du trou par lequel je suis passé, il y a un autel, en pierre, lui aussi, ainsi que son tabernacle. A ma droite tout le reste du bâtiment. Sur les murs, à mi-hauteur, soutenus par des corbeaux de pierre, les statuts du Christ et des douze apôtres, grandeur nature. Le long des murs, posés sur le sol, des sarcophages de pierre de 2 mètres de long et de 60 centimètres de larges : il y en a 19. Et dans la nef, ce qu'éclaire ma lumière est incroyable : trente coffres en métal précieux, rangés par colonnes de dix. Et le mot coffre est insuffisant : c'est plutôt d'armoires couchées qu'il faudrait parler, d'armoires dont chacune mesure 2,20 m de long, 1,80 m de haut, 1,60 m de large.”. Cfr. Gérard de Sède, Les Templiers sont parmi nous, texto retirado do site de Jean-Patrick Pourtal, http://www.gisors.org
37 O relato deste renascer do caso Gisors pode ser lido na obra de Michel Lamy, Os Templários, p. 307, Editorial Notícias, Lisboa, 1996.
38 Editorial Notícias, Lisboa, 1996.
39 Lamy, op. cit., p. 307.
40 Lamy, op. cit., p. 308.
41 Lamy, op. cit., p. 310.

 


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