Rennes-le-Château

 

Vista aérea de Rennes-le-Château
Vista aérea de Rennes-le-Château

"Le plus grand dérèglement de l'esprit
c'est de croire les choses parce qu'on
veut qu'elles soient."
- Bossuet.

 

 

I.1. Introdução

     No primeiro dia de Julho de 1885 uma pequena aldeia no sul de França recebeu um novo pároco. Essa aldeia, situada na região do Languedoc, logo acima dos Pirinéus, chama-se Rennes-le-Château. O novo pároco, François-Bérenger Saunière era nessa altura jovem, com 33 anos, e aparentemente desadequado para uma paróquia tão despovoada e inerte como esta Pode-se observar um mapa desta região do sul de França para se localizar Rennes-le-Château. A aldeia fica no topo da serra, a quarenta quilómetros da cidade medieval de Carcassonne.

     Tendo concluído o seminário, foi ainda padre em Alet e Le Clat antes de ser mandado para Rennes-le-Château. Naquela altura haveria 298 pessoas na aldeia e aparentemente era um local de exílio para uma pessoa da sua idade, que possivelmente ambicionava uma vida mais cosmopolita e mas activa. Havia contudo o conforto de estar perto da sua aldeia natal, Montazels, e portanto não se sentiria tão isolado. Além disso, a mudança era uma melhoria na sua condição, pois no seu cargo anterior, em Le Clat, estivera em pior situação: isolado não só geograficamente mas também culturalmente, pois a aldeia dedicava-se na totalidade à criação do carneiro. Rennes-le-Château, pelo contrário, era uma aldeia com um passado importante.
     Pouco tempo após a sua chegada, a 4 de Outubro de 1885, antes das eleições, Saunière proclamou um discurso fortemente monárquico, o que desagradou a hierarquia eclesiástica, que lhe retirou o salário. Devido à sua forte atitude anti-republicana, foi mandado pelo bispo de Carcassonne como professor para o seminário de Narbonne, de 1 de Dezembro de 1885 a Julho de 1886. Quando regressou, teve que viver durante uns tempos da bondade dos habitantes da aldeia, e porque não podia habitar no presbitério devido ao seu estado de degradação teve que alugar um quarto a uma arrendatária de nome Alexandrine Dénarnaud. Uma vez obtido o perdão dos seus superiores, Saunière recuperou o seu salário, e entre 1885 e 1891 terá recebido perto de 900 francos por ano, que não dando para fazer fortuna era com certeza superior ao que seria de esperar do salário de um pároco rural em finais do século XIX. Tendo em consideração que ele muito possivelmente beneficiaria de ajudas e contribuições dos habitantes da aldeia, deveria viver sem grandes preocupações. Nestes primeiros tempos empregou como criada e governanta uma rapariga nova, Marie Dénarnaud, que era filha da sua arrendatária Alexandrine Dénarnaud.

Bérenger Saunière Marie Dénarnaud
Bérenger Saunière (1852-1917) Marie Dénarnaud (1868-1953)

     Perto de Rennes-le-Château estava a paróquia de Rennes-les-Bains, da qual era padre Henri Boudet. Saunière e Boudet viriam a ser grandes amigos, e visitavam-se com frequência. Pouco depois da sua chegada à aldeia, Saunière interessou-se pela ideia de restaurar a igreja da paróquia, consagrada a Sta. Maria Madalena em 1059. Este edifício remontava ao tempo dos Carolíngios (século VIII ou IX), e fora construída sobre as fundações de uma estrutura visigótica ainda mais antiga, datada do séc. VI. É fácil imaginar o estado em que estaria esta igreja e também se compreende a urgência que Saunière teria em recuperá-la. Boudet poderá ter encorajado Saunière a iniciar a restauro do edifício em 1891, estimando-se o investimento necessário para as reparações urgentes na casa dos 2800 francos em moeda da altura. Diz-se que Boudet não só encorajou como também financiou a reconstrução da igreja. Talvez seja mais provável que Boudet tenha ajudado a arranjar patrocinadores para a reconstrução.
     Em 1886, ainda sem salário, Saunière começou a tarefa de reconstrução, investindo ele próprio 518 francos que somou a fundos municipais. Não se sabe qual a origem dessa quantia, tendo Saunière admitido que a tinha retirado de uma dádiva da condessa de Chambord, a mulher austríaca de Henri, conde de Chambord, pretendente ao trono de França pelo ramo Bourbon. O conde de Chambord era neto do rei Carlos X (irmão de Luís XVI, que foi decapitado durante a Revolução Francesa em 1793). Saunière já se havia demonstrado politicamente a favor dos Bourbons quando discursou a 4 de Outubro de 1885, fazendo talvez sentido que ele afirmasse ser a condessa de Chambord a benfeitora. Esta dádiva figura em cartas justificativas que Saunière apresentaria muitos anos mais tarde a uma Comissão de Inquérito encarregada de tirar a limpo a sua contabilidade. Não há provas concretas desta doação e não se entende à partida por que razão estaria a condessa interessada em patrocinar a obra do padre. Outra versão mais convincente estabelece que o padre anterior a Saunière na paróquia de Rennes-le-Château tinha guardado um pequeno depósito monetário proveniente de uma doação de uma paroquiana. Saunière poderá ter usado este dinheiro, que não foi gasto pelo seu antecessor.

 

Os pergaminhos

 

     Na igreja, começou por efectuar apenas as alterações essenciais. Durante estes primeiros trabalhos, decorridos por volta de 1886-87, Saunière tentou remover o altar-mor da igreja, peça composta por uma pedra que descansava sobre dois pilares. Segundo se diz, um estava em bruto e o outro esculpido.

Pilar esculpido (fotografia antiga) Reprodução do pilar sob a Virgem de Lourdes
Pilar esculpido
(fotografia antiga)
Reprodução do pilar
sob a Virgem de Lourdes

     O pilar esculpido encontra-se hoje em dia no museu da Associação Terre de Rhedae, localizado ao lado da igreja. Existe também uma reprodução colocada no exterior, debaixo de uma estátua da Virgem Maria de Lourdes. Diz-se que após a remoção da pedra, Saunière constatou que o pilar era oco e ocultava quatro pergaminhos guardados em tubos de madeira selados. Outra versão desta descoberta diz que os pergaminhos estavam numa espécie de garrafa dentro de um balaústre de madeira e não no pilar do altar. Diz-se também que no outro pilar, o que não estava esculpido, ele encontrou alguns ossos, provavelmente relíquias de santos. Estes últimos detalhes sobre os pilares têm que ser falsos, uma vez que o pilar que sobreviveu até hoje é maciço e não há razão para supor que o outro não o fosse. Em relação ao pilar que se diz que estava em estado bruto, pouco ou nada pode ser confirmado visto que o seu paradeiro é desconhecido. Ao que parece a versão do balaústre de madeira é a mais correcta, porque este ainda existe (encontra-se no museu da Associação Terre de Rhedae) e possui uma cavidade oculta à qual se podia aceder fazendo deslizar uma tampa.

     Apesar de toda a polémica sobre este assunto ter sido aumentada por causa da hipotética descoberta destes não menos hipotéticos documentos, a verdade é que simplesmente não há nada de credível que suporte esta descoberta. Muitos livros e artigos foram escritos com base na existência dos ditos documentos e há bastantes teorias (pouco sólidas) sobre eles. O que existe hoje em dia é uma cópia de dois textos, que se diz fazerem parte do grupo dos quatro pergaminhos, mas tudo aponta para que sejam apenas o resultado de uma farsa que teve um sucesso incrível, para além das expectativas dos seus criadores. Uma análise cuidada deste assunto pode ser lida na página respectiva.

Acesso à igreja Perto da entrada Entrada da igreja
Acesso à igreja Perto da entrada Entrada da igreja

     Durante estes primeiros trabalhos de restauro da igreja de Sta. Maria Madalena, Saunière levantou um bloco de pedra que estava colocado com a face para baixo em frente ao altar, recorrendo à ajuda de dois trabalhadores. Estes teriam notado imediatamente que se tratava de uma sepultura. Segundo a tradição oral da aldeia, Saunière mandou-os imediatamente embora, exigindo não ser perturbado e proibindo a entrada de quem quer que fosse na igreja. Nesse dia terá trabalhado até tarde, e mesmo noite a dentro, no interior da igreja. Teria comunicado pouco tempo depois a descoberta aos seus superiores imediatos, ao seu amigo Henri Boudet e ao padre Gélis, da freguesia vizinha de Coustaussa. Não se sabe ao certo o que estaria debaixo do bloco, que terá sido esculpido no século VII ou VIII, mas provavelmente cobria uma câmara funerária que continha esqueletos. É perfeitamente possível que ocultasse uma câmara com restos mortais e até pequenos tesouros de antigos senhores da região. De facto, Saunière ofereceu a alguns amigos moedas de ouro, um cálice e até jóias visigóticas! Contudo, isto não será sinal da posse de uma grande fortuna. Devido aos trabalhos de restauro, ele poderá ter posto a descoberto alguns destes pequenos tesouros. Este bloco de pedra, conhecido como "la Dalle des Chevaliers", ou seja, "a Laje dos Cavaleiros", está agora no museu da Associação Terre de Rhedae.

 

A "missão" de Saunière

 

     Em 1891, quatro anos depois da remoção do altar-mor da igreja, decidiu aproveitar o pilar esculpido e colocou-o no exterior, debaixo de uma estátua da Virgem de Lourdes. Ao fazê-lo, mandou gravar uma inscrição que ainda hoje é suficientemente legível: "Mission 1891". A razão desta inscrição pode ser a seguinte: a 21 de Junho de 1891 ele inaugurou a estátua da virgem de Lourdes na ocasião da comunhão de 24 crianças da aldeia, cerimónia que teve a participação do missionário diocesano Ferrafiat. Assim estaria explicada a referência a "Mission" e ao ano "1891", que seria o corrente. Por outro lado, há quem veja esta inscrição como um marco deixado por Saunière para a posteridade, assinalando o ano de 1891 como o ano do início da sua "missão". Que missão seria esta? Não se sabe, mas estará certamente relacionada com as várias vagas de restaurações e construções que Saunière empreendeu em Rennes-le-Château.

     Ao criar o conjunto da estátua e pilar, Saunière encomendou ainda algumas peças de pedra para completar o altar da Virgem. Uma destas peças, que está ainda hoje localizada sobre a reprodução do pilar e debaixo da estátua, tem a seguinte inscrição: "Pénitence! Pénitence!". Estas palavras poderão ser compreendidas se tivermos em conta que Saunière viveu num período repleto de revelações e visões. A alusão a "penitência" poderá estar relacionada com a aparição da Virgem em Lourdes. A Virgem Maria terá pronunciado as seguintes palavras: "Baisez la terre en pénitence pour les pécheurs" ("Beijai a terra em penitência pelos pecadores"). Devido ao facto da inscrição estar gravada na pedra colocada abaixo da estátua da Virgem de Lourdes, poderá parecer evidente que esteja relacionada com esta aparição, mas há que ter em conta outra que também gerou o fervor popular: outra aparição da Virgem levantou a paixão popular, em 1846, em La Salette, Grenoble. Esta visão, mais tarde desmistificada pela Igreja, foi muito respeitada e venerada pelos Integralistas, apoiantes da causa monárquica. Saunière, lembre-se, era um deles.
     A reprodução da coluna esculpida foi encomendada pela Associação Terre de Rhedae para substituir o pilar original, que se encontrava no exterior da Igreja desde o tempo de Saunière. A reprodução ajusta-se fielmente ao conjunto coluna e estátua concebido por Saunière.

 

O mistério

 

     A vida de Saunière mudou radicalmente em 1891, o mesmo ano da inscrição "Mission" no pilar. Alguns autores têm situado neste ano importante a hipotética descoberta dos pergaminhos. Antes de prosseguir, nunca é demais lembrar que este texto introdutório é composto por uma série de relatos, na sua maioria deturpados, que na totalidade praticamente não fornecem factos concretos e verificáveis. Assim, o que aqui se apresenta é apenas o relato tradicional. Se se preferir, esta introdução consiste na mitologia moderna que surgiu em torno de Rennes-le-Château e da vida do seu padre mais polémico.
     Diz-se que foi neste ano que os pergaminhos foram descobertos. Ora algo tem que estar mal contado, quando é facto comprovado que o novo altar foi colocado em 1887, e se diz que os pergaminhos surgiram durante as obras de remoção do altar velho. O mais certo é que algo foi descoberto durante as primeiras obras (1886-1887), não necessariamente os pergaminhos, e que a mudança na vida de Saunière, visível através das suas obras e de actos tão marcantes como a gravação da inscrição no pilar, tenha provocado a associação fácil do ano de 1891 à descoberta na igreja.
     Seguindo novamente os típicos rumores, diz-se que quando o achado chegou ao conhecimento geral, o presidente da câmara local exigiu que o padre lhe entregasse os pergaminhos. Saunière terá recusado terminantemente entregar o que ele tinha encontrado antes de uma cuidadosa tradução por parte da Igreja. Concordou contudo em entregar-lhe cópias dos documentos. Seja como for, estas hipotéticas cópias teriam uma vida curta, pois na primeira década deste século um incêndio devastou a câmara municipal, levando consigo todo o arquivo. Saunière divulgou oficialmente a descoberta apenas ao bispo seu superior, o bispo de Carcassonne, Félix-Arsène Billard. Pouco tempo depois, assim que o bispo tomou conhecimento dos factos, Saunière terá sido mandado para Paris, despesas pagas pelo bispo, com a ordem de se apresentar a algumas autoridades da igreja levando consigo os pergaminhos.
     Esta viagem a Paris dificilmente poderá ter ocorrido. Saunière anotava tudo no seu diário e parece certo que ele não terá saído da região durante a maioria da sua vida. Nem a viagem nem a sua razão de ser (levar os pergaminhos a autoridades da Igreja em Paris) estão provadas. Diz-se que de entre as autoridades eclesiásticas que o receberam destacava-se o abade Bueil, que dirigia naquela altura o seminário Saint-Sulpice em Paris, e o seu sobrinho Emile Hoffet, que com pouco mais que vinte anos já tinha construído uma reputação intelectual e cultural impressionante para a sua idade, contando-se entre os seus estudos a linguística, a paleografia e a criptografia. Mostrando-se interessado em ingressar na vida religiosa, diz-se que Hoffet dava-se igualmente com grupos esotéricos e conhecia bem o meio das sociedades dedicadas ao oculto, que eram abundantes naquela altura. Através destes conhecimentos, Saunière terá sido introduzido de chofre num meio cultural onde se encontravam escritores como Stéphane Mallarmé e o compositor Claude Debussy, por exemplo. Conheceu também Emma Calvé, personagem pouco conhecida hoje em dia, mas que no final do século passado era uma diva famosa como Maria Callas. Emma Calvé pertencia a esta cultura esotérica e estava envolvida com vários ocultistas influentes.
     Diz-se então que Saunière terá passado várias semanas em Paris, devido à calorosa recepção de que terá sido alvo por parte do círculo de amigos de Hoffet. O resultado dos hipotéticos encontros com os seus superiores eclesiásticos é um mistério. Há rumores de que Saunière se tornou amante de Emma Calvé, que se dizia estar "obcecada" pelo padre. Diz-se que eles mantiveram uma grande amizade por muito tempo, e que a cantora o ia visitar frequentemente a Rennes-le-Château. Saunière ter-lhe-ia oferecido o segundo pilar que sustinha o velho altar-mor para a cantora colocar no seu castelo de Cabrières. Nada disto está comprovado, e a relação entre os dois não possui provas incontestáveis.

     Durante a sua hipotética estadia em Paris, Saunière teria visitado o Louvre e adquirido cópias de três obras de arte. Uma delas seria um retrato do papa Celestino V de autor desconhecido. As mais significativas seriam as cópias de um quadro de David Teniers (não se sabe se do pai se do filho) e de um quadro, este o mais famoso, de Nicolas Poussin, Les Bergers d'Arcadie ("Os pastores da Arcádia"). A ligação de Poussin com o mistério de Rennes é relativamente frágil, mas interessante de investigar. Até há bem pouco tempo, perto de Rennes-le-Château, em Arques, existia uma sepultura igual à pintada por Poussin. A sepultura era local de atracção de numerosos investigadores por conta própria, que com a intenção de se aproximarem mais da estrutura, invadiam propriedade alheia. O dono dos terrenos decidiu pôr fim à persistente entrada de desconhecidos tomando uma medida drástica: a destruição da sepultura. Este assunto será explorado num capítulo apresentado mais adiante.

     Outro facto difícil de explicar é o da profanação do sepulcro de Marie de Négri-d'Ables, mulher do marquês de Hautpoul de Blanchefort. Saunière terá remexido esta sepultura aquando das obras que mandou efectuar no cemitério. Este sepulcro, que estava localizado no cemitério de Rennes, junto à igreja, tinha sido desenhado e construído um século antes pelo padre Antoine Bigou, o mesmo que se diz ter sido o autor de dois dos pergaminhos atrás mencionados. Na pedra sepulcral, Bigou mandou gravar uma inscrição aparentemente normal, apesar de conter erros de soletração e de espaçamento, mas que curiosamente constitui um anagrama perfeito para a descodificação do segundo texto que se diz que Saunière descobriu. Não se sabe se Bigou é responsável pelos erros na inscrição ou se eles foram introduzidos por outra pessoa. Muito possivelmente, os erros poderiam ter sido feitos pelo artesão que gravou a inscrição, visto que naqueles tempos eram quase todos analfabetos, tendo-se aceitado a pedra com os erros devido ao custo considerável da encomenda. Esta explicação, sendo a mais simples, poderá mais facilmente corresponder à verdade. A população diz que Saunière profanou a pedra, rasurando a inscrição de modo a dificultar a sua leitura. Contudo, o texto sobreviveu graças a um trabalho histórico e arqueológico anterior a Saunière, onde a pedra aparece catalogada e desenhada.
     Com a ajuda de Marie Dénarnaud, a sua governanta, empreendeu longos passeios pelos arredores da aldeia recolhendo e coleccionando pedras aparentemente sem interesse ou valor. Usou grande parte dessas pedras na construção de uma pequena gruta no jardim da igreja. Dedicava-se também, com a ajuda da sua governanta, a escavar o cemitério e os arredores, possivelmente em busca de sepulturas senhoriais.
     Alguns anos depois do início das obras de recuperação, Saunière deu início à sua dedicação à filatelia e à troca de cartas. Correspondeu-se com frequência com desconhecidos não só em França mas na Alemanha, Suíça, Itália, Áustria e Espanha. Acumulou selos sem valor e efectuou estranhas transacções monetárias com vários bancos. Diz-se que Saunière terá recebido uma visita de um representante de um banco que teria ido à aldeia só com o objectivo de tratar de negócios com ele. As despesas de Saunière estavam a avolumar-se e só em correio já gastava muito mais que aquilo que um salário de padre poderia permitir. No ano de 1896, os seus gastos tinham subido de escala e nunca parariam de aumentar até à última década da sua vida. Contudo, não se deve pensar que o padre gastou tudo em seu proveito. Foi ele que empreendeu a construção de uma estrada decente, que liga Rennes-le-Château à rede viária da região, tendo também introduzido "confortos modernos" para a altura como a água corrente. Realizou também despesas mais extravagantes como a construção da Torre Magdala, com vista para a montanha. Estas são fotografias da torre:

Torre Magdala - vista 1   Torre Magdala - vista 2  Torre Magdala - vista 3  Torre Magdala - vista 4   Torre Magdala - vista 5   

     Saunière construiu também uma casa de três pisos, de luxo fora do comum para a bolsa de um padre, à qual chamou Villa Béthanie, onde ele nunca viveu, que era usada principalmente para receber convidados. O propósito desta obra, segundo Saunière, era a de proporcionar uma casa de retiro para os padres reformados da região. Os factos mais estranhos encontram-se porém relacionados com o restauro e redecoração da igreja. No pórtico da entrada foi colocada a seguinte inscrição:

TERRIBILIS EST
LOCUS ISTE

Inscrição no pórtico Inscrição destacada
Inscrição no pórtico Inscrição destacada

      A tradução é simples: "Este lugar é terrível". A frase parece estranha e desadequada para uma igreja, mas possui um significado simples baseado num episódio do Antigo Testamento. Porém, uma série de entusiastas do misterioso apressaram-se a ver nesta frase algo de demoníaco. No interior da igreja, a decoração é fora do comum: ao entrar, o visitante é surpreendido pela estátua de um diabo, que Saunière insistiu em colocar à entrada, para lembrar os crentes de que é a cruz de Cristo e o baptismo que têm o poder para esmagar o Diabo (para Saunière, sacerdote monárquico, a República era comparada ao Diabo). Uma divisão secreta foi adicionada à sacristia e Saunière encheu a igreja de esculturas e vitrais. Nas paredes da igreja, mandou colocar as várias estações da via-sacra (as estações da via-sacra representam os vários momentos da paixão e morte de Cristo). Praticamente todas as estátuas e baixos-relevos provêm da casa Giscard, de Toulouse, onde Saunière também adquiriu a via-sacra.
     Segundo muitos entusiastas do misterioso, a via-sacra apresenta uma série de inconsistências, algumas óbvias, outras subtis. Eis as duas principais características consideradas como peculiares: na oitava estação, há uma criança vestida com uma capa escocesa; na décima quarta, onde está retratado o episódio de Jesus a ser levado para o túmulo, o céu está pintado num tom escuro, nocturno, como se sugerisse que Jesus tinha sido enterrado à noite. Tem-se especulado que, se Saunière tivesse podido escolher detalhes da via-sacra como este, ele estaria a querer sugerir que a cena se passaria muito depois do enterro, estando nesse caso Jesus a ser transportado para fora do túmulo. Contudo, é perigoso e insensato especular deste modo apenas com base em simples pinturas, que eram de fabrico comum na região e cujo fabricante vendia para uma série de clientes através de catálogos, o que evidencia de certa forma uma produção uniformizada (o que não invalida que a casa Giscard fizesse produtos por medida).
     Eis algumas imagens da igreja:

Estátua do diabo Detalhe da estátua
Estátua do diabo Detalhe da estátua

Gárgula e pomba branca à entrada da igreja Igreja vista do jardim Detalhe do altar da igreja
Gárgula e pomba branca
à entrada da igreja
Igreja vista do jardim Detalhe do altar da igreja

     Para melhor localizar as imagens aqui apresentadas apresenta-se o esquema da igreja e da área circundante, estando indicados com setas os pontos de tomada de fotografia utilizados. Pode-se ver a aldeia de uma forma global através das duas fotografias aéreas por baixo do esquema.

Esquema da igreja e da área circundante
Esquema da igreja e da área circundante
(adaptado do original de Phillipe Contal)

Vista aérea de Rennes-le-Château Vista aérea de Rennes-le-Château
Vista aérea de Rennes-le-Château Vista aérea de Rennes-le-Château

     Além de efectuar estranhas redecorações como estas, Saunière dedicava-se a gastar o seu dinheiro de modo extravagante: construiu um jardim zoológico e uma biblioteca; diz-se que coleccionava tecidos e mármore antigo bem como porcelana rara, e que pouco antes da sua morte tencionava construir uma torre forrada de livros, da qual ele pregaria para a população. Esta também não era negligenciada por ele, sendo frequente a participação dos seus paroquianos em banquetes e festas suas. A sua governanta comprava muitos dos seus vestidos em Paris e usava-os na missa de Domingo. Eram frequentes as visitas ilustres que ele recebia: Emma Calvé, é claro, Andrée Brugière, o mação Henri-Charles-Etienne Dujardin-Beaumetz, e o Marquês du Bourg de Bozas, conhecido pelos seus conhecimentos nos meios esotéricos. Porém, o mais ilustre visitante que se diz que Saunière recebia era o arquiduque Johann von Habsburg, primo do imperador da Áustria, Franz Josef. Não parece verosímil que tão ilustre personagem procurasse o padre de Rennes. Contudo, existem relatos suficientes de alguns aldeões contemporâneos de Saunière para dar alguma credibilidade à hipótese de que um Habsburgo terá visitado Saunière, não necessariamente o arquiduque Johann.
     Todos estes visitantes, e também os menos ilustres, como alguns padres da região, ficavam instalados na Villa Béthanie, não olhando Saunière a quaisquer despesas para zelar pelo conforto dos seus convidados. Muitos entusiastas deste mistério disseram, sem o provar, que Saunière e o arquiduque Johann teriam ambos aberto contas bancárias no mesmo dia, tendo sido efectuada uma transferência considerável de dinheiro para a conta do padre. Não se deve dar muito crédito a esta afirmação quase fantasiosa. Porém, Saunière tinha de facto várias contas bancárias, com a evidente função de tentar dissimular aos seus superiores a riqueza fora do comum que possuiu durante muitos anos. Ao contrário do que se diz, Saunière viveu os seus últimos dias com alguma dificuldade económica, o que se justifica facilmente quando analisado o rol de despesas ao qual que se dedicou durante décadas. Diz-se que Saunière viajava com frequência, raramente revelando os seus destinos a quem não pertencesse ao seu restrito círculo de amigos.

Saunière com alguns amigos no jardim
Saunière com alguns amigos no jardim

     A morte do superior de Saunière, o bispo de Carcassonne, veio colocá-lo em maus lençóis, pois as autoridades eclesiásticas fartaram-se de fechar os olhos às suas extravagâncias e aproveitaram a nomeação do novo bispo em 1901, Paul-Félix Beurain de Beauséjour, para tentar colocá-lo na ordem. Este mandou-lhe um aviso e pediu-lhe justificações. Saunière recusou-se a prestá-las, assumindo um comportamento insolente e ignorando a autoridade do bispo. Foram-lhe exigidas explicações sobre a sua riqueza, e em 1909 o bispo ordenou a sua transferência para a paróquia de Coustouge. Saunière recusou tudo isto, e o novo padre de Rennes-le-Château, o padre Marty, teve que dar a missa numa igreja deserta, pois toda a população estava a ouvir Saunière na Villa Béthanie. O novo bispo, vendo esgotadas as tentativas de controlar o padre, recorreu a um tribunal eclesiástico, acusando Saunière de vender missas ilicitamente. Hoje em dia já são bem conhecidos os documentos que provam que Saunière se dedicava à venda de missas em larga escala, ou seja, Saunière recebia os dividendos de intenções de missas que legalmente não poderia rezar (mais que três intenções por dia). Se ele apenas recebesse pedidos de missas vindos de outras aldeias, poderia fazer algum dinheiro com esta actividade, mas ele recebia-os de todo o país, e inclusive do estrangeiro, acolhendo várias centenas e mesmo milhares de pedidos por ano. O que torna este facto surpreendente é que não se encontra uma razão válida para tanta gente encomendar missas a Saunière. O que tinha ele ou a igreja dele de tão especial?
     Devido à falta de provas, a sua pena foi leve: mandaram-no para um retiro forçado de dez dias num convento e obrigaram-no a apresentar contas ao bispo. Saunière, porém, apelou para o Vaticano com a ajuda do seu advogado, o Doutor Huguet, de Agen, que era doutorado em direito canónico. Este seu amigo empreendeu várias viagens a Roma, de modo a resolver o seu caso litigioso, sempre com despesas pagas pelo padre. A pena de retiro foi finalmente cumprida a 5 de Maio de 1911. Devido a irregularidades na prestação de contas ao bispo, Saunière foi de novo condenado por desvio de fundos a uma suspensão de três meses, que continuaria ad aeternum até que ele devolvesse o dinheiro supostamente desviado. Graças aos esforços de Huguet e à falta de provas, o Vaticano anulou a pena imposta. O bispo recorreu, e o destino de Saunière ficou irremediavelmente decidido a 11 de Abril de 1915: ele nunca mais seria padre de Rennes-le-Château. Nunca se conseguiu provar a posse de dinheiro ilegal, pois Saunière não tinha nada em seu nome. Todas as suas propriedades tinham sido compradas em nome de Marie Dénarnaud, e Saunière, furioso com alguns abusos por parte do bispado de Carcassonne, ameaçou o bispo com um processo civil por difamação. Porém, nunca o concretizou.

     A 17 de Janeiro de 1917, com 65 anos de idade, Saunière sofreu um derrame cerebral, ficando imediatamente de cama e num estado de saúde muito precário. A data 17 de Janeiro é curiosa, visto ser a mesma data que estava inscrita na pedra tumular da marquesa de Hautpoul de Blanchefort. Este dia também coincide no calendário religioso com a festa de Saint-Sulpice, nome do seminário onde se diz que Saunière terá confiado os pergaminhos ao abade Bueil e a Emile Hoffet. Foi dito em vários livros sobre o mistério que existia uma nota de encomenda de um caixão feita por Marie Dénarnaud para o seu patrão, datada de 12 de Janeiro, mas trata-se claramente de um erro de leitura, porque a verdadeira factura está datada de 12 de Junho de 1917. A fraca legibilidade da palavra "juin" levou a que, por entusiasmo, muitos lessem "janvier". Claro que histórias destas, onde a governanta de Saunière surge a encomendar um caixão antes da morte do seu patrão, inflamam os espíritos atreitos a lendas e a mistérios policiais.
     Enquanto jazia no seu leito de morte, foi chamado o padre Jean Rivière, da aldeia vizinha de Espéraza, para ouvir Saunière em confissão e administrar-lhe a extrema-unção. O padre apressou-se a chegar ao quarto do doente, ficando a sós com ele. Testemunhas oculares contaram que ele saiu do quarto pouco tempo depois, com um ar visivelmente chocado. Gerou-se mais tarde o boato de que o padre Jean Rivière "nunca mais sorriu". Haverá aqui certamente imenso exagero... Diz-se que o padre Rivière se recusou a administrar-lhe o último sacramento, tendo-se depreendido logicamente que essa decisão estaria associada à confissão que Saunière lhe teria feito. Note-se que até os piores criminosos, se arrependidos, podem receber a absolvição se assim o desejarem. Adicionalmente, se Saunière não tivesse sido absolvido, isso seria equivalente a uma excomunhão, e o padre nunca teria tido direito a uma sepultura cristã. Ora é bem sabido que Saunière foi enterrado sob todos os preceitos religiosos a que qualquer cristão, para mais um sacerdote, tem direito.
     No dia 22 de Janeiro, Saunière morria depois de alguns dias de cama. Diz-se que na manhã seguinte o seu corpo foi colocado na vertical numa poltrona no terraço da Torre Magdala, vestido com uma indumentária exótica, cheia de pingentes com franjas coloridas. As pessoas que compareceram à cerimónia seriam desconhecidos, talvez pertencentes ao seu círculo de amigos íntimos, e que passando em frente ao morto teriam arrancando franjas dos pingentes para levar consigo. Parece que aqui também ocorreram adulterações posteriores aos relatos dos locais, porque o que se dizia na aldeia é que Saunière foi exposto à população num caixão, como é normal, e que estaria envolvido num manto encarnado, com os ditos pingentes. Muitas mulheres da aldeia teriam arrancado alguns pingentes do manto para ficarem com uma recordação do padre, que tinham em alta estima. Saunière foi a enterrar no dia 24 de Janeiro, e foi colocado numa sepultura no exterior da igreja, que tinha sido preparada por ele durante os trabalhos de recuperação da igreja e do cemitério. Marie seria enterrada muitos anos mais tarde (em 1953) à sua esquerda.

Saunière no seu leito de morte Sepultura de Saunière (à direita)
De acordo com Henry Lincoln,
este seria Saunière no seu leito de morte
Sepultura de Saunière (à direita)

     A fotografia da esquerda, apresentada no livro de Henry Lincoln, Key to the Sacred Pattern - The Untold Story of Rennes-le-Château, é interpretada pelo autor como sendo a do corpo de Saunière. Contudo, a figura deitada em leito de morte não apresenta semelhanças indiscutíveis com o padre Bérenger Saunière. Adicionalmente, o quarto onde foi tirada esta fotografia não foi ainda identificado. Não se encontra nenhuma divisão, nem no presbitério nem na Villa Béthanie, que se ajuste à fotografia. Mais um detalhe que provém da intenção deste mistificador. Henry Lincoln não indica onde obteve a fotografia. Contudo, em Julho de 2005, investigadores independentes conseguiram pôr fim a mais esta fraude. A fotografia foi retirada da obra Le Père Jean, abbé de Fontfroide, editada em Toulouse pela editora Libraire Privat em 18961. Na fotografia, quem está em leito de morte é o dito padre Jean de Fontfroide, que tendo sido nomeado "abbé mitré", tinha adquirido direitos semelhantes aos de um bispo, o que justifica a presença da mitra à sua cabeceira. Tendo morrido a 12 de Novembro de 1892, esta fotografia dataria assim de vinte e cinco anos antes da morte de Saunière! O enigma de Rennes está polvilhado destas falsas pistas, o que mostra bem o nível de cuidado que é exigido de qualquer investigador que queira estudar este tema a fundo...
     O testamento de Saunière foi lido no meio de grande apreensão e expectativa, mas veio a saber-se que ele não tinha um tostão. Antes de morrer, Saunière tinha transferido a pouca fortuna que ainda possuía e todos os bens que tinha em seu nome para Marie Dénarnaud, como agradecimento pela sua companhia e fidelidade ao longo de 32 anos ao seu serviço. Muitas das propriedades que se pensava que eram legalmente dele tinham estado desde sempre em nome de Marie. Depois da morte de Saunière em 1917, Marie viveu confortavelmente na Villa Béthanie até 1946, tendo nesse ano vendido a casa a Noël Corbu, contra o pagamento de uma renda vitalícia (vente en viager, em francês). Após a Segunda Grande Guerra, o governo francês, com a instalação do novo franco e a extinção do velho, exigiu declarações de rendimentos para efectuar trocas de francos velhos por novos. O objectivo era controlar os que fugiam aos impostos e os especuladores que tinham enriquecido com a Guerra. Sem vontade de fornecer explicações para a sua riqueza, Marie viu-se sem um tostão de um dia para o outro. Há rumores, certamente fantasiosos, de que ela chegou a queimar maços de notas velhas no jardim. Desde essa altura, durante os seus últimos sete anos de vida, Marie viveu austeramente com a renda vitalícia que lhe pagava Corbu, resultante da venda da Villa Béthanie. Tinha prometido ao comprador, Noël Corbu, que lhe revelaria um segredo que lhe daria poder e riqueza, mas em 29 de Janeiro de 1953 sofreu um derrame cerebral repentino, ficando logo de cama, sem conseguir articular uma só palavra. Morreu pouco tempo depois, com 85 anos de idade, levando consigo qualquer segredo que ainda guardasse.

Noël Corbu, junto ao baixo-relevo de Maria Madalena Henri Buthion
Noël Corbu,
junto ao baixo-relevo de Maria Madalena
Henri Buthion

     Corbu abriu na propriedade um hotel com restaurante, mas o negócio nunca correu muito bem e agora que Marie estava morta, a sua ambição de conhecer os segredos tornou-se impossível de concretizar. Devido ao fracasso do negócio, Noël Corbu vendeu a propriedade a Henri Buthion, de Lyon, que efectuou a compra no último trimestre de 1964. Apesar de Henri Buthion ter continuado a explorar a Villa Béthanie como hotel durante alguns anos, hoje em dia ele já não exerce esta actividade, tendo vendido a propriedade em 1994 à Associação Terre de Rhedae.
     Noël Corbu, que foi o responsável por relançar o interesse por Rennes-le-Château nesta segunda metade de século, teve um fim de vida trágico: a 20 de Maio de 1968, no cruzamento de Prouilles, na estrada de Montpellier para Fanjeaux, chocou com um camião que não lhe deu prioridade… É hoje incontestável que Corbu enfeitou e adicionou elementos espúrios à história do padre Saunière, tendo amplificado bastante os boatos e as declarações dos aldeões. Esta distorção efectuada por Corbu teve um fim claramente visível: a rentabilização do seu negócio. Tratou-se de uma óbvia jogada de marketing que possuiu o seu sucesso relativo, porque durante várias temporadas o seu hotel teve sempre uma clientela regular, mesmo em época baixa.

     Este é o resumo do mito que surgiu em torno dos acontecimentos de Rennes-le-Château e da vida de François-Bérenger Saunière. Durante toda a narrativa, teve-se o cuidado de apoiar as declarações mais bombásticas com alguns factos históricos, aproveitando-se aqui e ali a oportunidade de refutar algumas das mentiras que se escreveram sobre Rennes. Contudo, o assunto não se esgota aqui, pois esta história só levanta perguntas e não responde a nenhuma. E o que é mais impressionante é que esta versão "romanceada" continua a fazer sucesso pelo mundo fora, mesmo apesar de tantos factos já terem sido comprovados e tantas teorias fantasiosas já terem sido refutadas.
     A pouco e pouco serão criadas mais páginas ligadas a este assunto de modo a apresentar o máximo de informação possível. Urge avisar o leitor de que este é um terreno pantanoso e facilmente se encontram justificações e contra-justificações para qualquer afirmação. Existe imenso material documental que tão cedo não poderá ser publicado nestas páginas, e por esta razão, quem o desejar poderá utilizar o correio electrónico para pedir mais detalhes ou documentos mais específicos.
     As antigas secções sobre os cátaros e sobre as Cruzadas tiveram que ser removidas. A razão por detrás desta decisão é simples e clara: o texto estava tão incompleto quanto incorrecto, o que iria requerer uma quantidade de tempo impraticável. Assim, para os interessados, é possível pedir-me um ficheiro comprimido com estes ficheiros usando o meu correio electrónico.

     As páginas que se seguem, assinaladas como pertencentes ao ponto I, servem para aprofundar aspectos da vida e obra de Saunière e da história de Rennes que pela sua natureza pormenorizada não poderiam ser incluídos nesta introdução. Na secção II estão alguns assuntos relacionados com a mitologia de Rennes-le-Château, e por fim encontram-se duas páginas de referência: a página de bibliografia, com a lista das fontes documentais consultadas, e a página de locais na Internet, onde se pode aceder a outros locais relacionados de certo modo com este assunto.

 

Capítulos sobre Rennes-le-Château:

I.2. O passado de Rennes-le-Château
I.3. O padre Bérenger Saunière
I.4. Os primeiros trabalhos de recuperação
I.5. A igreja de Sta. Maria Madalena
I.6. A via-sacra no interior da igreja
I.7. O assassinato do padre Gélis
I.8. A continuação do projecto
I.9. Os testamentos e o património
I.10. Um tráfico de missas
I.11. O processo eclesiástico
I.12. Os últimos anos

I.A. Personagens importantes
I.B. Resumo contabilístico
I.C. Cronologia da vida de Saunière

 

A mitologia:

II.1. A questão dos "pergaminhos"
II.2. O primeiro texto codificado
II.3. O segundo texto codificado
II.4. Anomalias no segundo texto
II.5. Cronologia dos "pergaminhos"
II.6. O Priorado de Sião
II.7. Pierre Plantard
II.8. Noël Corbu e os caçadores de tesouros
II.9. História do Priorado de Sião
II.10. Apócrifos na Biblioteca Nacional de Paris
II.11. Cronologia do Priorado de Sião
II.12. A Abadia de Nossa Senhora do Monte Sião
II.13. Nicolas Poussin e Os Pastores da Arcádia

 

Referência:

Bibliografia
Locais na Internet

 

1 Cfr. Mariano Tomatis (www.renneslechateau.it), Due Fotografie Fasulle.

 


Ó 1997-2006 Bernardo Sanchez da Motta
Todos os direitos reservados