Rennes-le-Château, 2 de Junho de 1911 Senhor Vigário-Geral Tenho tido a honra de lhe expressar em todas as minhas cartas que eu não procuro de maneira nenhuma esquivar-me e que estou pronto na medida do possível a responder às questões que você me coloca. Você quer a todo o preço facturas que eu não possuo. Já expliquei, e isto justifica a lacuna que, agindo sob a minha própria responsabilidade e com a resolução de não ultrapassar as somas que tinha entre as mãos, tinha visado unicamente facer face dia a dia às despesas correntes. Já lhe forneci a prova pelo certificado delineado pela conservatória do registo predial que nenhuma dívida ficou por pagar. Não pensais que os meus fornecedores e os meus operários achariam extraordinário se não mesmo singular que eu lhes vá pedir, depois de tantos anos, novas facturas? Tendo estas facturas sido entregues uma primeira vez, consentiriam eles a fornecer-me um duplicado, e este pedido não lhes pareceria um embuste? As indicações gerais que continha a sua carta de 9 de Maio preocupam-me! Eu teria que lidar com um tribunal comercial que, pressionado por credores impacientes e frustrados quereria assegurar-se do estado do activo e do passivo, e deveria pronunciar-se sobre a ameaça, ou inverosimilhança de uma falência, que este tribunal não seguisse outra forma de proceder comigo. Graças a Deus, a minha situação não é tal, consequen- temente você não tem que temer que eu aflija a Diocese com o escândalo de um desastre financeiro perspectivo (iminente, previsível, N.T.) que explicaria sozinho as instâncias actuais e que justificaria da sua parte, o desejo de prevenir uma catás- trofe parecida. Já lhe escrevi, despojei-me das facturas que eu possuia para lhas poder transmitir; estou disposto a procurar novas se as puder obter, sempre para escapar a diligências inúteis e penosas, eu desejava que a comissão me colocasse categorica- mente as questões por 1º, 2º, etc e esforçar-me-ei então para dar respostas apropriadas. Um reparo, para terminar, no mês de agosto, o ofício, julgando-me à revelia, tratara-me em contumácia e condenara-me ao máximo da pena. Não chego a compreender que a segunda senteça que devia atenuar a primeira seja um mínimo. Por este motivo proponho-me a pedir ao meu advogado que redija um depoimento sobre todo este procedimento afim de que ele seja apresentado em Roma em reunião plenária, assim que tiver apelo o meu recurso. Queira aceitar, senhor Vigário-Geral, as minhas respeituosas homenagens BSaunière ptre. (assinatura)