Relatório da comissão encarregada por Monsenhor o bispo de examinar a contabilidade do sr. Saunière. Carcassonne, 4 de Outubro de 1911 Monsenhor, Nós temos a honra de lhe expor que tendo entrado em contacto com o Sr. Saunière para examinar as suas contas como você nos havia confiado a fazer na sequência do julgamento do Ofício contra ele efectuado, nós não conseguimos que ele nos apresente uma contabilidade sequer rudimentar. Pelas receitas, ele limitou-se a indicar-nos as diferentes fontes de receitas que ele já tinha apresentado no processo e que constituem simples afirmações sem prova alguma e das quais algumas parecem inverosímeis. É assim que por exemplo ele atribui um ganho de trezentos francos por mês, nas fábricas de Espéraza à família que ele hospitalizou quando seria fácil demonstrar que (este ganho, N.T.) não pôde em média ultrapassar sensivelmente a metade desta soma. Pelas despesas, ele apresentou um maço de facturas, algumas regularmente adquiridas, outras constituindo simples notas, mas o total das somas inscritas nestas facturas não chega senão a 36000 francos aproximadamente; convidado por nós a apresentar um cômputo de despesas que atingisse o valor global de 193000 francos que ele próprio tinha apresentado no processo, ele apresentou-nos como para as receitas um cálculo aproximado que consiste numa enumeração de sete artigos com valores correspondentes que não são justificados por nada. O Sr. Saunière fez aliás sempre parecer que apenas lhe convinha provar que ele não tinha feito dívidas, quando era a sua contabilidade que lhe era pedida. Ele não aceitou vir-nos ver para fornecer explicações orais, usando como pretexto a necessidade em que o colocava o seu estado de saúde de evitar toda a emoção e não achámos que devíamo-nos deslocar a Rennes, prevendo a inutilidade completa desta iniciativa. Nós julgamos dever assinalar a vossa Grandeza um facto grave; o Sr. Saunière reconhece que os terrenos não se encontram em seu nome; as construções seguindo a mesma sorte não lhe pertencem. Todas as despesas feitas, à excepção de 27000 francos destinados à igreja e talvez ao Calvário e de 15000 francos destinados ao mobiliário, segundo as palavras do Sr. Saunière, beneficiariam por conseguinte o proprietário nominal destes terrenos. Por outro lado certas despesas de construção foram efectuadas em nome da família Dénarnaud, porque, entre as facturas tão incompletas que o Sr. Saunière nos entregou, nós encontrámos uma, datada de 8 de Julho de 1902 emitida por Joseph Fabre, de Dourgne, que reconhece ter recebido da Sra. Dénarnaud, proprietária em Rennes, por intermédio do Sr. Caminade arquitecto de Limoux, a soma de 412,50 francos por abastecimentos e colocação do tecto da Villa Béthanie. Queira Vossa Grandeza aceitar a homenagem do nosso pro- fundo e religioso respeito em N.S. (Nosso Senhor, N.T.) Jean Saglio L. Messal ch. L. Charpentier ch. Secretário geral