+ Rennes-le-Château, 14 de Maio de 1911 Senhor Vigário-Geral Já lhe apresentei o motivo incontestavelmente legítimo pelo qual eu não poderia aceitar o convite que me faz. Não duvido da sua decisão de descartar toda a questão delicada, de evitar mesmo qualquer cena penosa mas a melhor vontade não chega sempre para prevenir os incidentes que terminam de forma azeda. E visto que a sua insistência me obriga a precisar os motivos nos quais baseio a minha determinação, vejo-me reduzido a lembrar um facto que deixou no meu espírito uma impressão lamentável. A 25 de Novembro, assistido do meu advogado, tive uma entrevista com o senhor Cantegril. O senhor Vigário-Geral atribuia-me um propósito que eu nunca tive. Defendi-me com toda a correcção e cortesia que é devida ao meu superior. Ele não teve em conta as minhas recusas e persistiu mesmo com tanta firmeza na exactidão das suas afirmações que eu passei por todas as penas do mundo para me conter e não faltar à deferência que lhe devia. A consequência foi aquela que assinalei na minha última carta, fiquei doente e tive que me submeter a um regime de várias semanas. Num tal estado de coisas eu veria como uma imprudência imperdoável expor-me a incidentes que não poderiam senão complicar-se atendendo às explicações que eu já forneci de forma legal e que contudo não satisfazem. Queira receber, senhor Vigário-Geral, a expressão respeituosa dos meus sentimentos muito submissos em N. S. (Nosso Senhor, N.T.) BSaunière ptre. (assinatura)