Rennes-le-Château, 20 de Junho de 1911 - Senhor Vigário-Geral Remetendo-me à sua carta de 9 de Maio, eu encontro estas indicações gerais: você pede 1º que me dirija aos meus principais fornecedores para deles reclamar duplicados das suas facturas. 2º que diga o preço da compra dos terrenos, 3º que lhe envie o montante dos meus impostos. Respondi à primeira questão expressando que havia graves inconvenientes em solicitar, seja aos fornecedores, seja sobretudo aos operários estes duplicados que levantariam suspeitas e desconfianças. Pelo 2º expliquei que a compra dos terrenos foi efectuada pela família hospitalizada em minha casa a qual tinha adiantado o preço desta aquisição com base nas suas receitas pessoais. 3º a minha declaração de impostos que se reduz ao presbitério que eu ocupo em virtude de um contrato de arren- damento não pode lançar nenhuma luz sobre a questão. Todavia como você a deseja eu junto-a a esta carta. Você insiste em conhecer a fundo as despesas que eu pude efectuar parecendo que (você, N. T.) teme uma catástrofe financeira e não obstante, um escândalo. Mas que prova mais peremptória posso eu fornecer que um certificado da conservatória do registo predial? Os detalhes referentes aos montantes tornam-se uma inutilidade face a este documento. A citação do ofício de 7 de Julho de 1910 tinha por objecto o número exagerado de missas que eu tinha centralizado e a crença de que eu ficara rico com honorários de missas. Foi provado que as intenções não ficaram paradas (ou seja, foram gastas de forma piedosa, N.T.) e que não era possível que eu me tivesse enriquecido com estes honorários. Dei a lista das generosidades feitas e das habilidades que me prouveram as somas necessárias às despesas. Não compre- endo o objectivo ao qual você se propõe reclamando-me uma contabilidade que eu não possuo. Não lhe dissimulo que esta luta me é penosa, estas instâncias da administração abatem-me, também a minha saúde fica fortemente enfraquecida. Acabo de estar encamado uma quinzena de dias e, neste momento, apenas entrei em conva- lescença. Todavia, sempre exprimindo-lhe o meu desgosto por estes aborrecimentos, declaro-lhe muito lealmente que agirei como um bom padre até ao fim, você jamais receberá de mim uma palavra de recriminação que não se inspire na deferência que eu devo ao meu bispo. Contudo, cioso da minha justificação, desejoso de obter justiça, espero a minha benção de Roma. Já submeti a esta jurisdição todas as suas cartas com um depoimento que analisa a situação; o dossier foi remetido à Congregação e conto receber antes das férias uma decisão que eu acolheria com um feliz Deo Gratias ("Graças a Deus", N.T.). Queira aceitar, senhor Vigário-Geral as minhas muito respeituosas homenagens. BSaunière ptre. (assinatura)